Mãe do menino Miguel, morto ao cair de prédio no Recife, decide cursar Direito

Mirtes Renata Souza diz que escolheu o curso para ajudar outras pessoas em situação de vulnerabilidade 

Ana Paula Lima Ribeiro, colaboração para a CNN Brasil
26 de novembro de 2020 às 15:39 | Atualizado 26 de novembro de 2020 às 18:50
Mirtes Renata Souza Santana, mãe do menino Miguel, que morreu ao cair do 9º andar de um prédio de luxo no Recife
Foto: Divulgação/Facebook

A mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, 5, que morreu ao cair do nono andar de um condomínio de luxo no Recife (PE) em junho, vai cursar Direito em 2021 em uma faculdade na capital pernambucana. Mirtes Renata Souza Santana, 33, contou nas redes sociais que o desejo de justiça após a morte do filho e os pedidos de ajuda de outras pessoas em situação de vulnerabilidade a motivaram.

Miguel morreu em junho deste ano, quando a mãe saiu para passear com o cachorro da patroa Sarí Corte Real, com quem deixou a criança. Mirtes era empregada doméstica na casa de Sarí, mulher do então prefeito de Tamandaré (PE), Sérgio Hacker Corte Real (PSB), que não conseguiu se reeleger ao cargo nas últimas eleições.

Nos últimos meses, Mirtes tem participado de palestras, atos e lives em combate ao racismo e pelos direitos de crianças em situação de vulnerabilidade. Em dezembro, ela começa a trabalhar com o Grupo Curumim, coletivo que luta há 30 anos pela igualdade étnico-racial e de gênero. A organização convidou Mirtes para integrar a equipe após fechar uma parceria com a AfroResistance, organização social norte-americana que luta pelos direitos das mulheres negras e imigrantes.

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Daniele Brás da Silva, educadora e assessora técnica de projetos do Curumim, conta que a organização vai inserir Mirtes nos processos de formulação e implementação das atividades do Programa Cunhatã, que promove ações educativas e de formação política a mulheres, adolescentes e jovens. Em entrevista à CNN, Daniele explica que o objetivo é “fortalecer Mirtes para que ela se fortaleça na luta antirracista. Ela vai acompanhar os grupos e executar as formações, para que passe por um acúmulo de experiências, fortalecimento sociopolítico e crie mais instrumentos para a luta, além de autonomia financeira”.

O caso

Miguel morreu no dia 2 de junho deste ano, após cair do 9º andar de um dos prédios do condomínio de luxo conhecido como "Torres Gêmeas" no bairro São José, em Recife. Sarí Corte Real, dona do apartamento em que Mirtes então trabalhava como empregada doméstica, foi presa por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e libertada depois de pagar R$ 20 mil de fiança.

Ela responde em liberdade à denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual por abandono de incapaz com resultado de morte. Segundo o MP-PE, ela é acusada de deixar Miguel sozinho no elevador de serviço. A criança foi para o 9º andar, que não tinha telas de proteção, e morreu ao cair de uma das sacadas. A defesa de Sarí pede a absolvição sob o argumento de não houve abandono de incapaz, e, em entrevista ao Jornal do Commercio, ela tentou convencer Miguel a sair do elevador. A audiência de instrução do caso acontecerá no dia 3 de dezembro, na 1ª Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente de Recife.