Exclusivo: Rematrículas em escolas privadas caem 30%, diz pesquisa


Paula Forster, da CNN
10 de dezembro de 2020 às 07:50

 

Caiu 30% o número de estudantes rematriculados em escolas particulares neste ano, no período sazonal de setembro a 14 de novembro, na comparação com o mesmo período de 2019. A maior queda se concentra nas instituições que oferecem ensino infantil e fundamental I.

Os dados são de uma pesquisa inédita realizada pelo Grupo Rabbit, empresa de consultoria em gestão educacional, e passada com exclusividade para a CNN Brasil. Foram consultadas mais de 1.400 escolas privadas do Brasil, que abrangem aproximadamente 435 mil alunos. Segundo o levantamento, 46% efetuaram rematrícula neste ano, o que corresponde a 200.100 estudantes. Já no ano passado, foram 65% (282.750 mil).

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A projeção é de que as rematrículas aconteçam até o mês de março de 2021, comportamento que não aconteceu no ano passado, por exemplo, quando todas as rematrículas se concentraram no fim do mesmo ano.

O cenário é marcado pelas incertezas em relação a 2021, devido à pandemia da Covid-19. “Ainda há o medo do desemprego, a insegurança do novo coronavírus. Soma-se a isso, o estresse e cansaço mental dos pais, que preferem adiar a decisão para o ano que vem”, explica Christian Coelho, CEO do Grupo Rabbit.

Escolas particulares
Instituições que oferecem ensino infantil e fundamental I foram as que mais perderam rematrículas
Foto: CNN (01.jun.2020)

A pesquisa mostra ainda queda no número de novos ingressantes. Neste mesmo período, em 2019, já havia 9% de novas matrículas – em relação ao total de alunos. Neste ano, são apenas 3%. Pelo histórico de anos anteriores, segundo Coelho, a média das instituições é receber 25% de alunos novos e ter 20% de perda anualmente. 

Apesar das diminuições apresentadas, a redução de estudantes, entre setembro e novembro, foi de apenas 4%, segundo a pesquisa. De acordo com o diretor do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de SP), Benjamin Ribeiro da Silva, a realidade se confirma.

“A maior perda está mesmo no ensino infantil, porque as crianças não estão em idade escolar obrigatória. Mas – em relação aos demais níveis de ensino - as escolas que conseguiram manter aulas remotas de forma eficiente não devem perder estudantes”, diz. Quanto ao atraso das matrículas, Benjamin explica que se deve às incertezas, mas que acredita que, até o fim de dezembro, a procura deve aumentar.