Pesquisa da USP revela que aquecimento global diminui tempo de vida de árvores

Estudo foi publicado em uma das revistas científicas mais importantes do mundo

Por Evandro Cini, José Brito e Vital Neto, da CNN, em São Paulo
15 de dezembro de 2020 às 19:27 | Atualizado 15 de dezembro de 2020 às 19:36

 

Um estudo coordenado por pesquisadores brasileiros do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) analisou dados dos anéis de crescimento de 438 espécies de árvores ao redor do mundo e descobriu que o aquecimento global faz com que árvores situadas nas zonas tropicais vivam por menos tempo.

A pesquisa, que durou quatro anos, foi feita pela USP em parceria com pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e das universidades de Leeds (Reino Unido), Passau (Alemanha) e da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso (Chile). Os resultados foram publicados na Revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). 

Leia também:

Retrospectiva 2020: Os fenômenos da natureza que assolaram o planeta

Acordo de Paris completa cinco anos em meio a pressões crescentes

O Ártico está ficando mais quente e verde em velocidade maior que a esperada

Como os ricos podem ajudar a salvar o planeta das mudanças climáticas

Detalhe de anéis de crescimento no tronco de uma Araucária de 219 anos, exposto no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (11.dez.2020)
Foto: Kleberth Nina


As análises demonstraram que árvores que ficam em regiões mais quentes do planeta vivem, em média, 186 anos. Bem diferente da expectativa de vida de árvores que se desenvolvem em regiões extratropicais, onde as temperaturas são mais baixas: 322 anos.

“Quando você aumenta a temperatura, a flor vem antes e o fruto vem antes. Então, ela cumpre o ciclo de vida mais rapidamente”, explicou o professor Marcos Buckeridge.

O estudo aponta que as árvores morrem mais cedo em ambientes onde a temperatura média supera 25,4°C. Segundo os pesquisadores, 37% das áreas tropicais já estão nesta situação e, até 2050, a expectativa é de que as altas temperaturas prejudiquem 60% dos territórios. O problema é que, ao morrer, as árvores devolvem ao meio ambiente todo o carbono armazenado em anos de existência.

Destaques do CNN Brasil Business:

Inflação faz juro ficar negativo e ter pior rendimento do milênio – e vai piorar

10 ideias de presente para melhorar a vida de quem está em home office

32% dos brasileiros conseguiram economizar em 2020, diz pesquisa da CNI

“À medida que essas árvores morrem, elas abrem espaço para novas árvores, que são dragas de carbono. Elas crescem muito rápido e assimilam muito carbono. Só que, até que elas façam o estoque de carbono, pode levar duas, três décadas e nós não temos tempo para esperar tanto”, concluiu o professor Buckeridge.

Os resultados do estudo ajudam a explicar o aumento da morte de árvores na floresta amazônica desde a década de 1980, bem como de certas espécies das savanas africanas.