Polícia Civil desarticula grupo ligado a acusados da Lava Jato

Operação Piànjú é realizada nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Ceará e Alagoas

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
15 de dezembro de 2020 às 06:16 | Atualizado 15 de dezembro de 2020 às 06:56

 

A Polícia Civil deflagrou uma operação na manhã desta terça-feira (15) com o objetivo de desarticular um grupo criminoso com atuação interestadual e internacional ligado a acusados da Lava Jato.

A Operação Piànjú é realizada nos estados do Espírito Santo (Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica), São Paulo (capital, Santos e Jaguariúna), Ceará (Fortaleza) e Alagoas (Maceió).

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Viaturas da Polícia Civil de São Paulo
Foto: Divulgação - 02.jul.2018 / Governo do Estado de São Paulo

Os agentes cumprem mais de 120 mandados judiciais:

• 18 mandados de prisão preventiva
• 5 mandados de prisão temporária
• 30 mandados de busca e apreensão
• 23 sequestros de embarcações
• 43 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias
• 2 ordens judiciais de suspensão de atividades econômicas 

Dentre as ordens de busca e apreensão, há 12 imóveis, 3 veículos de luxo (Porsche Panamera, Maserati Granturismo S e Mercedes Benz GLA200FF), 12 motos aquáticas e 11 embarcações

O grupo é acusado de praticar os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e particulares, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, falsidade ideológica, estelionato e falsa comunicação de crime.

Investigações

Ao longo de dois anos de investigações, os policiais descobriram que a célula do grupo que atuava no Espírito Santo era composta por dois empresários capixabas, além de outros membros.

Ela "agia como 'prestadora de serviços' de lavagem de capitais para outras organizações criminosas possuindo, inclusive, ligação com empresas e pessoas investigadas e denunciadas no âmbito de diversas fases da Operação Lava Jato", informou a corporação.

Entre elas, as operações Chorume e Descarte, além de empresas já investigadas por agirem com os doleiros Alberto Youssef e Nelma Kodama, e uma companhia investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro acusada de desviar mais de R$ 98 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O grupo investigado na ação desta terça teria movimentado mais de R$ 800 milhões. Os alvos dos mandados de prisão são membros responsáveis pelo esquema de lavagem de capitais, realizado por meio de empresas de fachada e fictícias. Estas eram criadas a partir de identidades falsas, expedidas pelo setor de identificação da Polícia Civil do Espírito Santo.

De acordo com a polícia, a "organização criminosa se valia da precariedade do sistema atual de emissão de identidades civis e os beneficiários da lavagem, ou seja, os 'clientes' que tinham os valores remetidos para contas de empresas na China e Estados Unidos".

A ação desta manhã é conduzida pela Divisão Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV/DEIC) e Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPES), com apoio das Polícias Civis de São Paulo, Alagoas, Ceará e da Capitania dos Portos.

(Com informações de Anthony Wells, da CNN, em São Paulo)