Dona de casa que perdeu 3 parentes para a Covid-19 aguarda leito de UTI no Rio

Dados sobre ocupação de leitos revelam que o atendimento nos hospitais públicos do Rio de Janeiro está à beira do colapso

Isabelle Resende, da CNN no Rio
16 de dezembro de 2020 às 11:09 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 11:24
Leito de UTI no Rio de Janeiro
Foto: Divulgação/Governo do Rio (28.mai.2020)

Os dados sobre ocupação de leitos revelam que o atendimento nos hospitais públicos do Rio de Janeiro está à beira do colapso. Mais de 80% dos leitos da rede estadual e da rede SUS na capital estão ocupados, incluindo os leitos de enfermaria e de terapia intensiva. Ao todo, 431 pessoas aguardam por uma vaga em um leito (178 enfermaria + 253 de UTI) em todo o estado (incluindo os pacientes da fila de espera na capital).

A dona de casa Edite Ferreira da Rocha, de 77 anos, faz parte dessa lista. Ela deu entrada no Pronto Atendimento de Irajá, na zona norte da capital, na semana passada com sintomas da Covid-19. O quadro se agravou e hoje ela está com 65% do pulmão comprometido, aguardando por uma vaga num leito de UTI.

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O Pronto Atendimento de Irajá não possui leito especializado para pacientes com Covid-19. A irmã da dona Edite, Antônia Rocha, conversou por telefone com a produtora Isabelle Resende e contou o drama que a família está enfrentando. Outras três pessoas da mesma família também contraíram a doença e não resistiram.

A superlotação nas unidades também compromete o atendimento a pacientes acometidos por outras doenças. Como o caso da Sandra Helena Martins de Oliveira Lopes, de 51 anos, que sofreu uma trombose e há 13 dias espera por uma cirurgia. Ela está internada na emergência do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, na Baixada Fluminense. De acordo com o laudo médico, Sandra está com derrame pleural e o quadro dela se agrava a cada dia. A família conseguiu uma liminar na Justiça, mas até agora a decisão não foi cumprida. Mesmo sob pena de multa no valor de R$ 1 mil aplicada a cada duas horas. Sandra tem câncer no reto e fazia tratamento ambulatorial no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da UERJ. O filho dela, Leonardo Oliveira, está desesperado. Ele conversou a produção da CNN e contou que há dias vem percorrendo diversos hospitais, inclusive em municípios vizinhos como Petrópolis e Três Rios, levando a documentação na mão, mas até agora não conseguiu uma vaga porque não há leitos de UTI disponíveis.

A CNN entrou em contato com a Prefeitura de Caxias, que administra o hospital Adão Pereira Nunes, mas até agora não deu um retorno. Já a Prefeitura do Rio disse que a senhora Edite está inserida no Sistema Estadual de Regulação enquanto recebe suporte e tratamento necessários ao seu quadro de saúde.

O estado do Rio contabilizou mais 1457 novos casos confirmados da Covid-19 nas últimas 24 horas e 143 mortes provocadas pela doença. No total, o número de casos já chega a 391.350 e de mortes a 23.887. O tempo de espera por um leito para tratamento da doença na rede estadual está em cerca de 14 horas para leitos de UTI e cerca de 16 horas para leitos de enfermaria, de acordo com o governo do estado. Mas, na prática, essa espera pode durar muito mais.