Apenas metade da população LGBTQI+ se declara publicamente no país, diz pesquisa

Levantamento mostra que quase metade desta população ainda tem alguma dificuldade para se assumir em todo o ciclo social

Daniel Corrá, da CNN, em São Paulo
17 de dezembro de 2020 às 16:03 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 16:15
Bandeira do orgulho LGBTQI+ Pesquisa também mostra que obstáculos para assumir a sexualidade são ainda maiores na adolescência
Foto: Jasmin Sessler/Unsplash


Uma pesquisa sobre o perfil da população LGBTQI+ no Brasil revela que apenas 52% destas pessoas assumem publicamente a orientação sexual ou identidade de gênero. Na outra ponta, o levantamento, feito pela startup TODXS Brasil, mostra que quase metade desta população ainda tem alguma dificuldade para se assumir em todo o ciclo social.

Das respostas obtidas, 19% afirmam ter contado que são LGBTQI+ somente para parentes e amigos. Outros 18% contaram apenas para amigos, e 8% para amigos e colegas de trabalho. Pouco mais de 1% desse público não conta para ninguém sobre a própria orientação ou identidade.

Para Marcos Felipe Almeida, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da startup que fez a pesquisa, entre os obstáculos que levam as pessoas a "permanecerem no armário” estão os preconceitos, que ainda resistem no meio social. 

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“No caso de familiares há o receio de não aceitação, podendo chegar a uma expulsão, o que impacta diretamente na dependência que as pessoas têm em relação a familiares.  Especialmente no caso da nossa amostra, que é majoritariamente jovem. Por fim, sobre colegas de trabalho, é também esse receio de exclusão e isolamento, podendo colocar em risco a própria permanência no trabalho”, avalia Almeida.

A pesquisa também mostra que os obstáculos para assumir a sexualidade são ainda maiores na adolescência. A maioria dos entrevistados (67%) disse que escondeu ser LGBTQI+ no ensino médio. Enquanto 32% dizem que se assumiram nessa fase.

“Temos uma ausência de dados, considerando especialmente aqueles de fontes oficiais, como o IBGE. O censo do IBGE é um dos principais pontos de partida para que sejam pensadas políticas públicas, então, como a população LGBTQI+ não é tão considerada por ele, também fica à margem das políticas públicas”, diz o gerente.

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Identidade de gênero

Em relação à identidade de gênero, 88% das pessoas se declaram como cisgênero (ou seja, ao atribuído no nascimento). Já as pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino, nem feminino) somam 6%; enquanto transexuais e travestis correspondem a 3,5%. 

Sobre a orientação sexual, 65% das pessoas se declararam como homossexuais, seguidas pelas bissexuais, com 26,7%.

A pesquisa foi realizada virtualmente com mais de 15 mil brasileiros, maiores de 18 anos, em 26 capitais e no Distrito Federal.