Ex-subsecretária do RJ diz que foi exonerada após alerta sobre contratação de OS

Mariana Tomasi Scardua afirmou em depoimento que foi exonerada após alertar sobre risco de contratação de OS para construção de hospitais de campanha

Por Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro
28 de dezembro de 2020 às 18:28
Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ (9.mai.2020)


Ouvida nesta segunda-feira (28) como testemunha no processo de impeachment do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), no Tribunal Especial Misto, a ex-subsecretária de Gestão da Atenção Integral à Saúde disse ter alertado o então chefe, o secretário de Saúde, Edmar Santos, sobre os riscos de contratar a Organização Social (OS) Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) para a construção dos hospitais de campanha do governo do estado. E, dois dias depois disto, teria sido exonerada.

Mariana Tomasi Scardua disse, durante o depoimento, que sua área não era consultada sobre as principais decisões da secretaria, e que tomava conhecimento delas no início das manhãs, quando o secretário de Saúde dava entrevista aos telejornais. 

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“Foi por ali que eu soube que haveria hospitais de campanha, e que seriam todos pelo Iabas. Eu cheguei a comentar com ele que seria imprudente, perigoso, que o Iabas tinha o histórico de não entregar, e que ele sabia disto. E, um ou dois dias depois, eu fui exonerada”, afirmou Mariana Scardua, segunda a depor nesta segunda-feira. 

Ao todo, foram prometidos sete hospitais de campanha, mas apenas dois foram entregues pelo Iabas. O do Complexo Esportivo do Maracanã, no Estádio de Atletismo Célio de Barros, e o de São Gonçalo, na Região Metropolitana, entregue abaixo da capacidade prometida, que jamais foi alcançada.

Procurada, a defesa de Edmar Santos disse que não vai se manifestar sobre o assunto. Questionado, o Iabas  afirmou que repudia as declarações de Maria Scardua e que a “Secretaria Estadual de Saúde não cumpriu o cronograma de desembolsos financeiros, deixando o instituto por 38 dias com fluxo negativo de caixa”, e que “os hospitais seriam todos entregues, não houvesse havido incompetência e desinteresse por parte das autoridades estaduais”.

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Confira na íntegra a nota do Iabas:

O Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde repudia as declarações da ex-subsecretária de Atenção Integral à Saúde do Rio, Mariana Scardua, em depoimento ao Tribunal Especial Misto. O IABAS tem longo histórico na prestação de serviços de saúde com qualidade. As dificuldades enfrentadas pelo instituto na montagem e operação dos hospitais de campanha se deu especialmente em razão do Termo de Rerefencia ser insuficiente e eivado de vícios, conforme parecer emitido pela própria procuradoria do Estado,  bem como em razão de ingerência das próprias autoridades de saúde do Estado. Dentre outros problemas, a Secretaria Estadual de Saúde não cumpriu o cronograma de desembolsos financeiros, deixando o instituto por 38 dias com fluxo negativo de caixa; fez mais de 20 alterações dos projetos de cada hospital num período de 40 dias; escolheu alguns locais inapropriados para abrigar os hospitais, o que demandou obras adicionais. Ademais, não há que se falar em atraso, uma vez que o contrato celebrado com o governo NÃO PREVIA PRAZOS de execução. Os hospitais seriam todos entregues, não houvesse havido incompetência e desinteresse por parte das autoridades estaduais.