Aulas presenciais nas escolas municipais do RJ começam em 24 de fevereiro

Hoje, segundo o secretário, 44 unidades educacionais estão em estado critico e precisam de investimento para voltar a ser espaços de aulas presenciais

Isabelle Saleme e Pauline Almeida, da CNN, no Rio de Janeiro
27 de janeiro de 2021 às 12:48 | Atualizado 28 de janeiro de 2021 às 09:21

 

O retorno às aulas presenciais nas escolas municipais do Rio de Janeiro começará pelas séries iniciais. No dia 24 de fevereiro, retornam os alunos da pré-escola e do primeiro e segundo anos.

De duas a três semanas depois, na segunda fase, voltam estudantes do terceiro ao quinto ano, do nono e de parte do sexto ano e das crianças de creches.

A terceira fase começa depois do mesmo período de até três semanas, com aulas para as demais crianças de creches e das outras séries, além dos estudantes do PEJA e das classes especiais.

No entanto, a presença dos alunos nas escolas vai ser facultativa. O ensino remoto vai continuar sendo oferecido. “O ensino remoto foi pouco efetivo em 2020 e trabalhamos para não ser assim em 2021”, prometeu o secretário municipal de educação, Renan Ferreirinha.

A internet que estava cortada nas escolas foi reestabelecida, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) fez uma operação de higienização emergencial nas unidades e algumas escolas precisam passar por reformas.

 

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 


Hoje, segundo o secretário, 44 unidades educacionais estão em estado critico e precisam de investimento para voltar a ser espaços de aulas presenciais. Outras 432 precisam de intervenções pontuais. 

A retomada vai ser gradualmente nas 1.543 escolas. À medida que as unidades estiverem prontas, com infraestrutura adequada, corpo docente e funcionários disponíveis e em dia com os protocolos sanitários, serão liberadas para retomar as atividades.

Atualmente, a rede tem pouco mais de 39 mil professores. Deles, 3.145 têm mais de 60 anos. Segundo a prefeitura, os grupos de risco serão preservados no retorno.

“Nós queremos mostrar que as escolas, a partir de um processo como esse, isso precisa ser dito, que nós queremos construir, queremos formar as nossas escolas como os ambientes mais seguros para as crianças, para os estudantes, para os profissionais, nesse momento. Isso inclui segurança alimentar, combate ao déficit de aprendizagem, acolhimento socioemocional e tudo que nós defendemos”, disse o secretário Ferreirinha.

Entre as exigências para reabrirem os portões estão: uso de máscaras para crianças acima de três anos, o distanciamento de 1,5 m entre as pessoas, a readequação de espaço físico, a aquisição de insumos, como álcool em gel, horários escalonados de entrada e saída, a possibilidade de as refeições serem feitas em sala e não no refeitório.

Além disso, em áreas consideradas de risco moderado de contágio para Covid-19, seguindo os boletins epidemiológicos da prefeitura, o atendimento estará limitado a 75% da capacidade. Em locais com risco alto, 50%; e, com risco muito alto, 30%.

A prefeitura disse também que vai monitorar os casos e não descarta a possibilidade de fechar as escolas em casos de alta na contaminação por Covid-19. Nessas situações, as aulas seguiriam on-line.

Sobre a segurança da retomada, o Secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, disse que “é baseada nas evidências científicas".

"Não há nenhum motivo pra gente manter escolas fechadas, considerando as evidências científicas em relação à pandemia da Covid-19. No começo da pandemia, havia algumas dúvidas em relação a isso. Gradativamente, uma série de estudos foi mostrando que o risco das unidades fechadas é muito maior do que o risco da unidade funcionando, aberta. Escolas são equipamentos de proteção social fundamentais na nossa sociedade em todo o mundo. O Brasil foi o país que teve por mais tempo as escolas fechadas comparativamente com todos os outros”.

Apesar da preocupação com a qualidade do ensino, o Sindicato dos Profissionais de Educação (Sepe) não concorda com o retorno presencial, por acreditar que existe uma possibilidade muito alta de contágio.

A categoria defende a retomada apenas após a vacinação dos trabalhadores do setor e de toda a comunidade escolar contra a Covid-19. Sobre a vacinação, o Secretário Municipal de Saúde afirmou que os profissionais da educação virão depois de idosos e pessoas com comorbidades, nas próximas fases de imunização.

O sindicato terá uma reunião com Renan Ferreirinha, na próxima sexta-feira (29). No sábado (30), uma assembleia da categoria está agendada e uma nova greve não está descartada.