Internações por Covid-19 caem 63% no estado do RJ, mas contaminação segue alta

O infectologista Roberto Medronho explica que queda de internações não representa um recuo da pandemia

Por Beatriz Puente e Elis Barreto, da CNN
09 de fevereiro de 2021 às 04:44 | Atualizado 09 de fevereiro de 2021 às 10:15


 

Segundo dados da secretaria estadual de saúde, o número de internações por Covid-19 na última semana epidemiológica no Rio de Janeiro é 63% menor do que o registrado no início de dezembro. Considerando os meses completos, em janeiro 3.517 pessoas foram internadas, cerca de 37% do que o registrado em dezembro, que teve 9.441 internações. 

Em dezembro quando, segundo especialistas, tivemos um “repique” da doença, na semana epidemiológica 49, o número de internações foi de 2.208, o mais alto desde maio. O número de casos por data dos primeiros sintomas também indica que a primeira semana de dezembro foi a mais alta, superando todos os outras de 2020. O número de notificações de internações por Covid-19 chegou a 3.678 no pico da pandemia. 

 

Já em 2021, na última semana de janeiro, o número de internações foi de apenas 338 pessoas, ou seja, apenas cerca de 15% do registrado no mês anterior.

O infectologista Roberto Medronho explica que isso não representa um recuo da pandemia, mas sim uma mudança na faixa etária dos contaminados e, consequentemente, da gravidade da doença. 

“Há um grande número de infectados nos mais jovens nesse período, que são menos suscetíveis à doença. Essa queda de internação significa a queda de casos graves, não diminuição da doença. “, afirma o médico. 

O número de novos casos registrados no painel do governo do estado nas semanas analisadas mostra que em janeiro foram mais pessoas com teste positivo do que em dezembro.  Na última semana de janeiro foram registrados 16.906 casos, enquanto na semana epidemiológica de dezembro foram 14.051. O último Boletim Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz, apontou que a taxa de transmissão continua elevada em todo o país.

Medronho também descartou a possibilidade dessa queda ser consequência do início da campanha de imunização no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, ainda não se atingiu uma quantidade suficiente de pessoas vacinadas para termos o efeito de proteção coletiva, quando o vírus passa a circular menos.