Médicos voluntários ampliam UTIs e relatam situação ainda dramática em Manaus

São 18 profissionais que chegaram à capital amazonense no fim de semana e começaram nesta segunda-feira (15) a se somar aos esforços dos médicos locais

Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
15 de fevereiro de 2021 às 18:37
Paciente com Covid-19 transferido de Manaus chega a Recife
Paciente com Covid-19 transferido de Manaus chega a Recife
Foto: Rodrigo Baltar/Agência Pixel Press/Estadão Conteúdo (26.jan.2021)

 

O primeiro grupo de médicos voluntários de uma força-tarefa criada para ampliar o atendimento a doentes graves de Covid-19 em Manaus conseguiu tornar disponíveis mais 28 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em dois hospitais da cidade.

São 18 profissionais que chegaram à capital amazonense no fim de semana e começaram nesta segunda-feira (15) a se somar aos esforços dos médicos locais no enfrentamento de uma das situações mais dramáticas desde o início da pandemia no Brasil.

 

Depois da crise de falta de oxigênio enfrentada por Manaus e insuficiência de UTIs para os doentes graves, hospitais da cidade ainda enfrentam carência de equipamentos e materiais médicos, como luvas, óculos e máscaras para proteção dos profissionais que atendem infectados pelo coronavírus.

As médicas Camila Sérvulo e Flavia Galter, ambas oriundas de São Paulo, foram alocadas pela força-tarefa da Associação Médica Brasileira (AMB) no Instituto da Mulher Dona Lindu, hospital e maternidade referência da cidade que concentra o atendimento de gestantes infectadas pelo coronavírus.

"Há medicações em falta, como bloqueadores neuromusculares, fundamentais para os pacientes graves", descrevem Camila e Flavia, em mensagem por escrito enviada à CNN. Nesses casos em que faltam os remédios de primeira linha, é preciso buscar alternativas terapêuticas, o que torna mais difícil e delicado o atendimento desses pacientes graves.Grávidas doentes, maridos aflitos

Além de atender às gestantes infectadas, as médicas dão suporte aos familiares e relatam o drama de maridos e pais aflitos com a saúde de suas mulheres e filhos ainda não nascidos. "É de uma tristeza imensurável ouvir frases como 'não acredito que preciso escolher entre minha esposa e meu filho'", contam as médicas voluntárias.

No primeiro dia da força-tarefa em ação, já se tornou perceptível para esses voluntários o trabalho hercúleo que os profissionais de saúde manauaras enfrentam nesta segunda onda da Covid na cidade, em condições bem inferiores ao ideal.

De acordo com o coordenador da força-tarefa da AMB, Fernando Tallo, outros 30 leitos de terapia intensiva do Hospital Delphina Aziz devem ser ativados com apoio dos médicos voluntários. As 28 unidades que já começaram a poder atender doentes se dividem entre o Instituto da Mulher, com 7 leitos, e Hospital Newton Lins, com 21.

No auge do colapso do sistema de saúde, o Amazonas chegou a registrar mais de 600 pacientes à espera de uma UTI - hoje, de acordo com o governo estadual, são 377 indivíduos. A taxa de ocupação de leitos está em 91%, conforme dados compilados até sábado (13).

Na próxima semana, a AMB enviará um segundo grupo de médicos voluntários, chegando ao todo a 24 profissionais direcionados a Manaus. A força-tarefa foi criada tendo como modelo a mobilização da categoria para atender a vítimas do terremoto de 2010 no Haiti.