Suspeito de participar de grupo chefiado por Adriano da Nóbrega é preso em SC

Operação mirou grupo ligado à milícia 'Escritório do Crime', suspeito por associação criminosa, agiotagem e lavagem do dinheiro

Por Iuri Corsini, da CNN, no Rio de Janeiro
23 de março de 2021 às 22:00 | Atualizado 23 de março de 2021 às 22:01
Adriano da Nóbrega
Adriano da Nóbrega
Foto: Divulgação/Polícia do Rio

Foi preso na tarde desta terça-feira (23), na cidade de Joinville, em Santa Catarina, Daniel Haddad Bittencourt Fernandes Leal, um dos foragidos da operação Gárgula, deflagrada na manhã de segunda-feira (22).

A operação mirou um grupo ligado à milícia "Escritório do Crime”, suspeito por associação criminosa, agiotagem e lavagem do dinheiro em favor de Adriano da Nóbrega - apontado como um dos líderes desta milícia, e morto em confronto com policiais militares na Bahia em fevereiro de 2020. 

Daniel foi apontado como laranja no esquema que consistia, segundo o MPRJ, "na concessão de empréstimos a juros exorbitantes a terceiros, utilizando-se, ainda, nesta engrenagem, de uma empresa de fachada". Ele era um dos responsáveis por gerir o dinheiro proveniente de práticas ilícitas por parte de Adriano da Nóbrega, e se reportava diretamente à esposa de Adriano, Júlia Lotufo - outra denunciada no esquema e que segue foragida. 

Daniel, entre outros crimes mencionados pelo MP, teria cedido dados pessoais para esconder a origem dos proventos ilícitos do grupo e também assumiu a propriedade de bens que eram, na verdade, de Adriano. 

No dia 20 de fevereiro de 2020, Daniel já havia sido alvo de busca e apreensão após pedido do MPRJ. Na ocasião, foram encontrados R$124,6 mil, que seriam pertencentes ao grupo ligado ao “Escritório do Crime”.

Conforme o MPRJ, durante as diligências da Operação Gárgula realizadas ontem (22), foi identificado um morador na cidade de Joinville (SC) que era parente da mulher de Daniel, Carolina Mandin Nicolau, também denunciado pelo MP. Foi a partir daí que Daniel Haddad foi capturado e preso. Agora, o juízo que expediu o mandado de prisão vai determinar sobre a transferência dele para o Rio de Janeiro.

A operação Gárgula foi um desdobramento da Operação Intocáveis I, que investiga os integrantes da milícia de Rio da Pedras, bairro da zona oeste do Rio, que era controlado por Adriano. Foi justamente na ''Intocáveis" que Adriano fora denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO/MPRJ, em janeiro de 2019.