Leitos abertos para Covid-19 no Rio são de outras especialidades, diz comissão

Medida da rede municipal pode afetar tratamento de pacientes com outras doenças; comissão da Câmara Municipal denuncia que são mais de 300 leitos redirecionados

Stéfano Salles e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
31 de março de 2021 às 10:50
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo (10.mar.2021)

A Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal do Rio denunciou que os mais de 300 leitos para Covid-19 anunciados pela prefeitura desde janeiro para o enfrentamento à pandemia não são novos.

Segundo o vereador Paulo Pinheiro (PSOL), presidente do colegiado, o município apenas tem redirecionado a oferta anteriormente disponível para as diferentes especialidades atendidas pela rede da capital do estado. 

A CNN obteve um vídeo do Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na zona sul do Rio. Nele, é possível ver que antigas enfermarias de cardiologia foram transformadas em setor de atendimento de Covid-19.

Os pacientes originais da ala foram deslocados para a clínica médica, que teve leitos reduzidos para atender os recém chegados. 

Para Pinheiro, isso é um problema, porque cria dificuldades para os pacientes que regularmente buscam atendimento para outros problemas de saúde.

Segundo o parlamentar, a solução é reabrir os leitos federais dos seis hospitais e três institutos do Ministério da Saúde na cidade e destiná-los para Covid-19. 

Segundo levantamento feito pela comissão temática, são 1.392 leitos nesta situação. 

Estrutura de hospitais com leitos de UTI e enfermaria para o tratamento da Covid-19
Foto: CNN Brasil

 “Temos que entender que outros pacientes também precisam dessa rede pública. Não podemos aceitar que o Rio sacrifique seus hospitais de emergência como está sacrificando. Abrindo leitos para Covid-19 e fechando leitos para o atendimento normal de ortopedia, clínica médica. Nós temos 1.392 leitos federais que poderiam ser abertos para Covid-19. A solução é que reabram esses leitos”, afirma o vereador.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a rede federal demorou a entrar no enfrentamento à Covid-19 não apenas pela falta de pessoal, mas pelo entendimento de que é destinada à alta complexidade. 

O Ministério da Saúde se comprometeu em concluir em até duas semanas a abertura de 271 leitos, 104 de terapia intensiva e 167 de enfermaria. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde não se manifestou até a publicação desta reportagem.