Voluntários se organizam para distribuir refeições em São Paulo

Projetou nasceu em 2008, cresceu na pandemia e entrega 1.700 marmitas por semana

Débora Freitas, Michele Matuk e Marcia Barros, da CNN, em São Paulo
02 de abril de 2021 às 17:49 | Atualizado 02 de abril de 2021 às 18:02

Solidariedade. É esse sentimento que permite ao coletivo "O Amor Agradece" entregar 1.700 marmitas por semana a pessoas em situação de vulnerabilidade, em diversas regiões da cidade de São Paulo

O projeto nasceu em 2008, no quintal da casa produtora cultural Rute Corrêa de Souza. Naquele momento, oito pessoas se reuniam uma vez por semana para fazer 150 refeições. “Nasceu de um desejo de transformar a sociedade, desejo de não ser a pessoa que só reclama e não faz nada para que isso aconteça”, explica Rute. 

Mas foi na pandemia que o boca a boca fez o projeto crescer e mais gente quis ajudar. A rede de voluntários conta agora com pelo menos 40 famílias que cozinham, cada uma na sua casa, além dos que se dispõem a transportar e distribuir as marmitas.

Quem se voluntaria a cozinhar escolhe o cardápio. A jornalista Chloé Pinheiro convidou uma vizinha e juntas elas doam 30 marmitas por dia. “A gente tenta mesclar, faz um dia uma comida vegetariana e no outro uma comida carnívora. Mas a gente define o cardápio, faz as compras no mercado. Eu faço na feira também”, conta. 

Voluntários se organizam para distribuir refeições em São Paulo (02.abr.2021)
Voluntários se organizam para distribuir refeições em São Paulo (02.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Entre janeiro e março deste ano, o projeto "O Amor Agradece" entregou quase onze mil refeições. Um dos pontos de distribuição é o Largo do Arouche, no centro de São Paulo. Maicon Paim está em situação de rua há um ano e passa lá todos os dias para receber uma marmita. “É uma benção, porque está difícil a situação. Se não fosse esse projeto eu ia passar fome”, afirma ele. 

A consultora Elaine Rodrigues Teixeira conheceu o coletivo por meio de uma amiga. Ela queria cozinhar, mas o pessoal precisava de outro tipo de ajuda. “A primeira coisa que eles precisavam, de urgência, era transporte. Perguntaram se eu tinha carro e hoje eu me considero o aplicativo do amor, o transporte do amor”, diz Elaine. 

Nesse momento de crise sanitária toda ajuda é bem-vinda. A Rute garante que no "Amor Agradece" tem trabalho para todo mundo que quiser se voluntariar. “Porque, infelizmente, a demanda é muito maior que a oferta e se a gente quiser uma transformação, uma melhora, precisa fazer alguma coisa, arregaçar as mangas e fazer algo pelo nosso povo, por nós”, finaliza.