Câmara do Rio suspende salário de Dr. Jairinho; conselho discutirá afastamento

Conselho de Ética analisará situação do político após ele ser preso preventivamente sob suspeita de envolvimento na morte do enteado Henry Borel, de 4 anos

Isabelle Saleme, da CNN, no Rio de Janeiro
08 de abril de 2021 às 07:44 | Atualizado 08 de abril de 2021 às 12:01
menino Henry Borel
Dr. Jairinho e Monique Medeiros, padrasto e mãe do menino Henry Borel, foram presos na manhã desta quinta-feira (8)
Foto: CNN Brasil (8.abr.2021)

Preso preventivamente por 30 dias nesta quinta-feira (8)), o vereador Dr. Jairinho (Solidariedade) teve seu salário automaticamente suspenso pela Câmara do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (8), de acordo com o regimento interno da Casa.

Dr. Jairinho ficará automaticamente afastado do exercício do mandato caso tenha a prisão estendida já que o regulamento da Câmara prevê essa medida a partir do 31º dia de ausência do vereador – e se o afastamento for maior do que 120 dias, um suplente assumirá a cadeira. 

Dr. Jairinho e Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, são suspeitos de participar da morte do garoto, de 4 anos de idade, no dia 8 de março.

Em paralelo a suspensão do salário, o Conselho de Ética da Câmara se reúne na tarde desta quinta para discutir o possível afastamento imediato do vereador. Membro do colegiado, a vereadora Teresa Bergher (Cidadania) vai pedir que o parlamentar seja afastado para a continuidade das investigações. 

“Precisa ser afastado imediatamente. Pela imagem da casa, pela credibilidade de cada um de nós vereadores e por respeito a esta criança vítima de um cruel assassinato e a toda a população que representamos”, disse a parlamentar. 

Os vereadores da comissão se reúnem às 18h na Sala das Comissões do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio. Dr. Jairinho foi eleito para a Comissão de Ética no dia 4 de março, quatro dias antes da morte de Henry.

Os demais membros do órgão são: Alexandre Isquierdo (Democratas), que preside o órgão, Chico Alencar (PSOL), Rogério Amorim (PSL), Rosa Fernandes (PSC) e Zico Papera (Republicanos). 

Na quarta-feira, o vereador foi afastado pelo seu partido, o Solidariedade, que se posicionou por meio de nota: “Aguardamos junto às autoridades competentes a apuração dos fatos com o processo de investigação e uma posição final da Justiça”.

“Nós, enquanto um partido formado por cidadãos que buscam um futuro melhor, manifestamos nosso repúdio a todo e qualquer tipo de maus tratos e violência, principalmente contra crianças e adolescentes. Lutamos pelos desfavorecidos e seguiremos atentos aos mais vulneráveis de nossa sociedade”, diz o documento.

Dr. Jairinho era líder político de prestígio

O vereador Dr. Jairinho é médico, tem 43 anos e é filho do ex-deputado estadual e policial militar Coronel Jairo, preso na Operação Furna da Onça. Os dois têm reduto político em Bangu, na Zona Oeste. 

O vereador está em seu quinto mandato consecutivo e foi reeleito em 2020 com 16.061 votos, total que fez com que alcançasse a 26ª posição entre os candidatos mais votados. A Câmara Municipal do Rio tem 51 vereadores. 

Jairinho era uma liderança com prestígio político na Câmara Municipal, onde chegou a ser líder de dois governos. Primeiro, de Eduardo Paes (DEM). Depois, de seu sucessor, Marcelo Crivella (Republicanos). Por conta da habilidade com a qual lidava com o espectro político, o vereador era um dos nomes mais cotados para indicação ao cargo de auditor do Tribunal de Contas do Município (TCM). 

Paes indicará dois novos membros do TCM ainda no primeiro semestre de 2021. Um substituirá José de Moraes, aposentado em março, e outro o presidente da Corte de Contas, Thiers Montebello, que se aposentará no dia 16 de abril.

CORREÇÃO:
A versão inicial dessa matéria afirmava que Dr. Jairinho havia sido afastado imediatamente do cargo. Na verdade, ele teve o salário de vereador suspenso imediatamente. O afastamento se dá após o 31º dia de ausência ou por decisão do Conselho de Ética da Casa.