Caso Henry: Delegado diz que Jairinho tentou intimidar funcionários de hospital

Em entrevista à CNN, Antenor Martins também disse que o menino Henry Borel sofria agressões desde fevereiro

Produzido por Thayana Araújo e Maria Mazzei, da CNN, no Rio de Janeiro
10 de abril de 2021 às 13:46 | Atualizado 10 de abril de 2021 às 13:49

Delegado diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), Antenor Martins disse neste sábado (10) em entrevista à CNN que o vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, tentou intimidar profissionais do hospital para tentar liberar o corpo do menino Henry Borel sem a realização da necrópsia.

“Temos uma prova, um depoimento contundente de um auto executivo da área de Saúde que ele relatou sim, oficialmente em depoimento, confirmou isso, inclusive mostrou a troca de mensagens no aplicativo de celular de que o vereador tentou liberar o corpo do IML, para que não fosse encaminhado ao IML para que pudesse ser feita a necropsia”, afirmou Antenor, chefe do delegado Henrique Damasceno, que está investigando o caso.

“Ele queria o atestado de óbito para liberar o corpo do menino para o sepultamento direto, e, segundo palavras do vereador investigado, para 'virar a página', ele usou o termo. Foi isso que o auto executivo apresentou, aliás faço um elogio público pela cidadania, ele como pai de família não se eximiu, compareceu à delegacia uma vez intimado pela autoridade policial, relatou a verdade, apresentou documentos, abriu o seu telefone celular, disponibilizou tudo. Tanto o executivo e equipe do Barra D'Or, médicas, enfermeiros, tiveram uma conduta irrepreensível nesse caso”, completou o delegado.

Agressões desde fevereiro

Antenor também afirmou à CNN que as agressões sofridas pelo menino ocorriam desde fevereiro. “Nós temos provas técnicas de que estas agressões vinham acontecendo desde fevereiro. A mãe [Monique Medeiros] tinha pleno conhecimento disso e nada fez para impedir e afastar o seu pequeno filho do agressor, que era na verdade o seu companheiro. Ela mentiu para proteger o assassino do seu filho e a babá, que é testemunha, também mentiu. Isso para nós é o fundamental”.

“Até o momento, nós não encontramos nenhum indício de que a mãe do menino Henry [Monique Medeiros] estivesse sendo ameaçada pelo companheiro dela. Pelo contrário, eles parecem extremamente unidos. Inclusive, no momento da prisão estavam dormindo juntos em um terceiro imóvel da tia do vereador”, completou.

Doutor Jairinho
Doutor Jairinho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro