Projeto social ajuda milhares de famílias a não passarem fome na pandemia

Repasse das doações é feito por cartão vale-alimentação com R$ 150 por mês para ser gasto em mercados da comunidade

Layane Serrano e Jorge Fernando, da CNN São Paulo
10 de abril de 2021 às 16:04

O repique de casos da Covid-19 no Brasil agravou a vulnerabilidade de diversas famílias brasileiras que passaram a conviver com a falta de alimentos.

Para fazer a ponte entre doações e pessoas e priorizar os que mais necessitavam de dinheiro para comprar alimentos básicos, a ONG Gerando Falcões organizou os repasses por meio de cartões de vale-alimentação entregues à população.

O projeto conta com uma rede de ONGs que faz o cadastro das famílias. Cada uma delas recebe um cartão, que é carregado com 150 reais ao mês. Em 2020, o projeto arrecadou R$ 25 milhões em doações. Com este valor, a Gerando Falcões e demais ONGs impactaram mais de 426 mil pessoas e distribuíram 27 mil cestas básicas digitais.

Até abril de 2021, 12 milhões de reais já foram arrecadados a partir de mais de 66 mil doações. “Porém, a gente ainda está distante da nossa meta. Nós precisamos de muito mais, de ainda mais solidariedade e de colaboração para a gente atravessar este momento mais duro da pandemia”, disse o fundador e CEO da ONG Gerando Falcões, Edu Lyra, à CNN.

Lyra explica como é o organizado o projeto para que, rapidamente, o dinheiro seja distribuído e chegue a quem precisa. 

“Uma vez que a doação cai na conta da Gerando Falcões, a gente envia um cartão vale-alimentação, através de nossas ONGs - que fazem um pagamento por ordem de vulnerabilidade social. Com o cartão em mãos, a chefe de família compra os alimentos em um mercado da comunidade."

A ideia é que o projeto também possa aquecer a venda dos mercadinhos e mercearias locais e possa impactar na vida dos que vivem de seus pequenos negócios. Através do site da Gerando Falcões, o doador pode escolher quantas cestas básicas, no valor de R$ 50, ele pode doar. Tudo é feito digitalmente.

“Todos os dias a gente recebe ligações de líderes de centenas de ONGs dizendo que às 6, 7 horas da manhã já tem 500 pessoas em uma fila pedindo comida", revela o idealizador do projeto. “Os mais pobres, no isolamento, fazem sacrifícios ainda maiores do que toda a sociedade”, porque vivem em uma casa insalubre”, complementa.

Gerando Falcões leva doação de cestas básicas a famílias que enfrentam inseguran
Família beneficiada pelo programa. (10 de abril de 2021)
Foto: Reprodução / CNN

Outro projeto que a Gerando Falcões está contribuindo é a 'Panela Cheia Salva'. Um programa de combate à fome que envolve outras entidades solidárias, como a CUFA, a Frente Nacional Atirracista, a União São Paulo e a Unesco. 

“O ‘Fica em Casa’ para o mais pobre é devastador, porque eles ficam em que tipo de casa? Num barraco de 15, 10 metros quadrados onde moram 7, 8, 9 pessoas? Às vezes sem banheiro, a privada é um buraco cavado no chão. A geladeira vazia, o armário sem nada, com crianças de 3, 4 anos pedindo o que comer para a mãe e o pai de família. Isso é um assalto à dignidade humana”, lamenta Edu Lyra.