Bolsonaro volta a criticar restrições e diz que 'a fome está batendo forte'

Presidente afirmou nesta quarta-feira (31) que medidas de restrição adotadas por governos para contenção do coronavírus 'extrapolam estado de sítio'

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
31 de março de 2021 às 11:56 | Atualizado 31 de março de 2021 às 12:27

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta quarta-feira (31) as medidas de restrição impostas por governos estaduais e municipais para o combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Segundo ele, "a fome está batendo cada vez mais forte" devido às medidas vigentes em diversos estados.

"Alguns decretos têm se superado e muito até o que seria um estado de sítio no Brasil. O estado de sítio não é presidente quem decreta, ele pode até mandar o decreto pro Parlamento, mas só depois do Parlamento aprovar, ele entraria em vigor. Toque de recolher e supressão do direito de ir e vir extrapolam o estado de sítio", disse. 

Ele também voltou a defender que "a política de lockdown" seja revista por governadores e prefeitos para que se possa "voltar a normalidade". "Efeitos colaterais do combate à pandemia podem ser mais danosos do que o vírus", disse.

"Tínhamos e temos dois inimigos: o vírus e o desemprego. E não é ficando em casa que vamos resolver esse problema. Essa política ainda está sendo adotada, mas o espirito dela era para achatar a curva de contaminações enquanto os hospitais se preparavam", disse Bolsonaro. 

"Nenhuma nação se sustenta por muito tempo com esse tipo de política e nós queremos voltar a normalidade o mais rápido possível", afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou sobre medidas restritivas adotadas pelos governadores
Foto: CNN Brasil (31.mar.2021)

Segundo ele, o auxílio emergencial tem sido "um alento" para a população. "É pouco, reconheço, mas é o que a nação pode dispensar à sua população. Só temos um caminho: deixar o povo trabalhar". 

"A volta do direito de homens e mulheres ao trabalho no país é essencial", disse o presidente. 

A fala de Bolsonaro acontece um dia depois do Brasil bater recorde no número de mortes por Covid-19. Foram 3.801 óbitos pela doença nas últimas 24 horas, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (30) pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários da Saúde).

No total, o Brasil tem mais de 317 mil mortes por Covid-19 e são 12.658.109 de casos positivos desde o início da pandemia.