Laudo da Polícia Civil aponta que Henry sofreu 23 lesões externas

Documento preparado por peritos faz parte do inquérito e foi obtido pela CNN

Stéfano Salles, da CNN, no Rio de Janeiro
12 de abril de 2021 às 13:27 | Atualizado 12 de abril de 2021 às 16:44

O laudo de reprodução simulada, produzido pela perícia da Polícia Civil no apartamento onde moravam o vereador Dr. Jairinho (sem partido), a professora Monique Medeiros e seu filho Henry Borel, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, aponta que o menino de quatro anos sofreu 23 lesões externas provocadas por ações violentas no dia de sua morte. O documento as analisa por grupos que, se forem divididos, resultam em pelo menos 32 danos corporais, uma vez que alguns deles chegam a citar conjuntos de até três escoriações. 

A reconstituição da cena do crime foi feita no dia 1º de abril, e utilizou um boneco com 1,15 m e 20 quilos, as mesmas medidas do menino, morto no dia oito de março. Jairinho e a namorada, presos desde quinta-feira (8), não participaram da reprodução. Na ação, os peritos encenaram as narrativas apresentadas pelo casal em seus depoimentos, para verificar o que seria ou não possível. 

Participaram das atividades peritos do Instituto Estadual de Criminalística Carlos Éboli e do Instituto Médico Legal (IML), além de policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca). O laudo aponta ainda que três grupos de lesões, que somam oito danos físicos, todos na cabeça, foram provocados no corpo após a morte de Henry. 

Segundo o laudo, “as lesões constatadas no corpo são sugestivas de diversas ações contundentes e diversos graus de energia”. O documento aponta ainda que a presença de infiltrações hemorrágicas no couro cabeludo e em três regiões distintas do corpo são produto de ações contundentes distintas: “ou seja, uma queda de altura não produziria tais lesões. A quantidade de lesões externas não pode ser proveniente de uma queda livre”, diz outro trecho.

Com essa conclusão, o laudo diverge da versão apresentada pelo vereador e pela namorada, que Henry teria caído da cama do casal, onde dormia sozinho. O documento diz ainda que as lesões no fígado, apontadas como uma das causas da morte, podem ter acontecido até quatro horas antes de o menino ter sido levado ao hospital, onde já chegou sem vida. 

Procurado, o advogado André França Barreto, que defende o casal, disse que Monique e Jairinho não apresentaram a queda da cama como uma versão. Segundo Barreto, "Os dois tão somente narraram o que aconteceu naquela ocasião, o que cada um vivenciou". Ele destacou ainda que parte dessas lesões pode ser atribuída à massagem cardíaca feita no hospital, para reanimar Henry.