Babá relata Henry com boca tampada, no quarto com Jairinho, tentando gritar

Essa informação foi obtida pelos investigadores por meio de troca de mensagens de celular

Marcela Monteiro, da CNN, no Rio de Janeiro
04 de maio de 2021 às 17:08 | Atualizado 04 de maio de 2021 às 17:28
Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros; polícia investiga ela e padrasto, o deputado Dr. Jairinho, pela morte da criança
Foto: Reprodução/CNN Brasil

Em uma entrevista coletiva, que durou de cerca de uma hora na Cidade da Polícia nesta terça-feira (4), o delegado Henrique Damasceno trouxe mais detalhes sobre o inquérito que apurou a morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. 

De acordo com o delegado, que está à frente do caso, a polícia apreendeu o telefone da babá de Henry e encontrou relatos de mais episódios de violência contra o garoto. “Apreendemos o telefone dela. E, na sequência, colhemos um depoimento também bastante extenso. Ficou demonstrado não só o episódio de violência que já tínhamos como outros dois."

Segundo o delegado Henrique Damasceno, pelo menos três situações diferentes de agressão ocorreram antes da noite da morte do menino. 

Na primeira ocasião, 2 de fevereiro, alguns detalhes chamaram a atenção dos investigadores: o padrasto de Henry, o vereador do Rio de Janeiro Dr. Jairinho, também teria se trancado com o menino no quarto. Jairinho é suspeito da morte de Henry.

“Ocorreu uma série de circunstâncias e pouco depois a porta se abriu. O menino não se queixou em um primeiro momento, mas mais tarde, quando não quis brincar com outras crianças na brinquedoteca”, explicou o delegado.

Para Damasceno, mesmo o segundo depoimento da babá, em que a profissional admitiu violência na residência, ainda é um relato extremamente suavizado da gravidade da situação, se comparado ao laudo da extração das informações do celular.

“Nesse primeiro episódio encontramos conversas entre ela (a babá) e o noivo demonstrando que, nas palavras dela, parecia que dentro do quarto o padrasto estava tampando a boca do menino, que o menino gritava eu prometo. Uma série de episódios bastante sérios", afirma o delegado.

Na segunda ocasião de violência, 12 de fevereiro, a babá chegou a comentar com noivo que Henry, em desespero para não ir para o quarto com o vereador Jairinho, chegou a rasgar a sua blusa. Segundo o delegado, o parlamentar pagou R$ 100,00 a ela por esse estrago.

Esse foi o episódio em que a mãe estava no salão de beleza. Começou a receber essas informações por volta de 16:20, mas só retornou para casa às 19 horas. No dia seguinte levou a criança a um hospital em Bangu dizendo que ele havia caído da cama. 

Sobre a possibilidade de a babá ser indiciada por falso testemunho, o delegado disse que já existe um inquérito sobre isso.

“Algumas pessoas foram ouvidas novamente, são essas que estão sujeitas a responderem por falso testemunho caso tenham faltado com a verdade. Sobre a babá, especificamente, estamos aprofundando nesse aspecto do crime. Mas lembramos que no próprio depoimento ela alegou receio por sua integridade física. Ela tem muitos parentes ligados ao Dr Jairinho, mas ainda pode falar toda a verdade que sabe."

O inquérito que investigou a morte de Henry foi concluído na última segunda-feira (3). A polícia pediu a prisão preventiva do casal. O vereador Dr Jairinho foi indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado. E Monique Medeiros por tortura omissiva e, também, homicídio duplamente qualificado.