76% dos bares e restaurantes afastaram funcionários por Covid-19 nos últimos meses

Estabelecimentos afetados tiveram, em média, 24% dos colaboradores contaminados pela doença

Bar no Rio de Janeiro
Bar no Rio de Janeiro Reuters

Elis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) constatou que entre os meses de dezembro e janeiro, 76% dos estabelecimentos do setor tiveram que afastar funcionários por conta da Covid-19. Em média, 24% dos colaboradores desses comércios ficaram afastados durante o período.

A pesquisa consultou 1.300 estabelecimentos, entre os dias 15 e 27 de janeiro deste ano, e as informações são referentes ao meio de dezembro até meados de janeiro.

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, explica que, apesar de não prejudicar o funcionamento, a contaminação pela doença afeta diretamente os gastos, já que o empresário contrata funcionários temporários para substituir as baixas.

“Com o avanço da Ômicron, tivemos que recorrer aos extras, e até conseguimos repor os funcionários, mas isso aumentou os custos das operações. Isso porque o funcionário efetivo não pode ser afastado pelo INSS, pelo tempo da Covid-19, e o empresário arca com isso também. Outro ponto que dificultou o retorno foi o acesso a testes para detectar a doença, que estão escassos. Como em dezembro ainda tínhamos o surto de influenza, o teste era essencial para saber do que se tratava.”, explica.

Apesar do novo pico provocado pela doença, a movimentação nos bares e restaurantes compensou o aumento dos custos. Segundo o levantamento, 34% das empresas registraram lucro no mês de janeiro, frente as 31% que alegaram ter tido prejuízo no mesmo mês.

É a primeira vez, desde o começo da pandemia, que o número de empresas com lucro no mês é maior do que as que tiveram prejuízo. Outros 34% ficaram com as contas em equilíbrio.

Além disso, o presidente constatou uma movimentação acima do esperado no setor. Havia uma preocupação de que o avanço dos casos por conta da nova variante e o cancelamento do Réveillon causassem um aumento no receio dos consumidores.

“O Rio de Janeiro foi o melhor estado durante o mês de janeiro, foi excelente. Comparado com o mesmo mês de 2020, quando não havia pandemia, o faturamento do setor foi 20% maior. No Nordeste, os estados que apresentaram queda fio Ceará, e a Bahia, muito por conta das chuvas também.

De acordo com o presidente da associação, consultas superficiais aos estabelecimentos já mostram que o afastamento por Covid-19 apresenta uma queda na última semana, nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, que foram os mais afetados pela Ômicron.

Para Solmucci, essa redução é “animadora” e deve continuar durante o mês de fevereiro.

“Não acreditamos que vamos chegar no Carnaval com pico. Tivemos cinco semanas seguidas subindo o número de contaminações, mas além da queda no Rio de Janeiro e em São Paulo, nos outros estados esses afastamentos não estão crescendo mais. Então, acreditamos que no carnaval vamos estar sem restrições sérias.”, afirma.

Mais Recentes da CNN