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    86% das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidades, aponta pesquisa

    Pesquisa feita pela ONG Think Olga entrevistou 1.078 mulheres, entre 18 e 65 anos, em todos os estados do país, entre 12 e 26 de maio

    Pesquisa mapeou níveis de sobrecarga das mulheres no ambiente de trabalho
    Pesquisa mapeou níveis de sobrecarga das mulheres no ambiente de trabalho Foto: Christina @ wocintechchat.com /Unsplash

    Guilherme Gamada CNN

    De acordo com um estudo desenvolvido pela ONG Think Olga divulgado nesta quarta-feira (30), 45% das mulheres brasileiras possuem um diagnóstico de ansiedade, depressão, ou outros tipos de transtornos e 86% consideram ter muita carga de responsabilidades.

    A pesquisa inédita foi realizada com 1.078 mulheres, entre 18 e 65 anos, em todos os estados do país, entre 12 e 26 de maio de 2023, e mostra que 26% das mulheres declararam que os padrões de beleza impostos impactam negativamente na saúde mental. Já o medo de sofrer violência é citado por 16% das respondentes.

    A situação financeira e capacidade de conciliar os diferentes aspectos da vida têm as menores notas de satisfação entre as entrevistadas. Em uma classificação de 1 à 10, a vida financeira recebeu a classificação 1,4, já para a capacidade de conciliação das diferentes áreas da vida, a nota ficou em 2,2.

    Durante as entrevistas, os efeitos da pandemia na saúde mental foram relatados com frequência.

    “A saúde mental não deve ser uma discussão limitada por fatores biológicos. Claro que existe influência deles, mas o que o relatório nos mostra é que a perspectiva de gênero e suas interseccionalidades afetam diretamente as relações sociais e, portanto, impactam diretamente no psicológico das mulheres”, explica Maíra Liguori, diretora da Think Olga

    As mulheres informaram que são as únicas ou principais provedoras em 38% dos lares — em sua maior parte, negras, da classe D e E e com mais de 55 anos de idade. Somente 11% das entrevistadas dizem não contribuir financeiramente para a manutenção de suas famílias.

    O estudo ainda mostrou que 86% das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidades. As cuidadoras e mães-solo também são as mais sobrecarregadas com as tarefas domésticas e de cuidado, com 51% das mães e 49% das cuidadoras apontando a situação financeira restrita como o maior impacto na saúde mental.

    Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) realizada em 2022, as mulheres gastam 21,4 horas da semana em tarefas domésticas e do cuidado, os homens usam 11 horas.

    Já o relatório, chamado “Esgotadas”, mostrou que a sobrecarga de trabalho doméstico e a jornada excessiva de trabalho foi a segunda causa de descontentamento mais apontada — atrás apenas de preocupações financeiras. O trabalho de cuidado sobrecarrega principalmente as mulheres de 36 a 55 anos (57% cuidam de alguém) e pretas e pardas (50% cuidam de alguém).

    Veja também: Lula diz que mulheres podem ser maioria na política e governar o mundo