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    ‘A cada dia que passa, vamos superando ainda mais’, diz Papai Noel negro

    Shopping carioca investiu em ação que representasse a pluralidade do bairro Madureira. Ator Joel Trindade faz vídeo chamada com crianças pelo “WhatsNoel”

    Foto: Acervo Pessoal

    Anna Gabriela Costa, colaboração para CNN Brasil

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    O ator Joel Honorato de Trindade tem uma missão mais do que especial neste Natal: levar representatividade a milhares de crianças que ainda têm poucas referências negras em seu universo infantil. Trindade é o Papai Noel de um shopping no bairro Madureira, no Rio de Janeiro.

    “Me sinto lisonjeado. É muito bom ver os olhos das crianças diante de um Papai Noel diferente. Elas ficam olhando: ‘mas Papai Noel negro?’. E eu falo: ‘viu? melhor coisa!’. Tenho meus filhos, que sempre me chamaram de Papai Noel, mas quando me viram vestido com a roupa ficaram mais contentes ainda”, conta o ator.

    Joel é artista há alguns anos e comenta que embora a inclusão tenha melhorado nos últimos tempos, o preconceito ainda tem forte presença em seu cotidiano. 

    “As pessoas ficam assim, meio cismadas, mas já estão aceitando melhor. Ano passado foi pior, mas este ano está bem melhor. Eu estou vendo nos olhos das crianças. O jeito delas é bem melhor nos dias de hoje. Há dois anos, eu atuo como Papai Noel e enfrentei muito preconceito mesmo, principalmente em algumas regiões do Brasil por onde viajei. Eles ficavam olhando e questionando: mas Papai Noel preto?”, conta Joel.

    O ator afirma que busca responder aos questionamentos pelo caminho do humor: “Eu respondo brincando: é que eu sou de bem depois do Polo Norte, lá não tem sombra, só muito sol, então a gente dá risada e aceita. Não tem jeito, tem que dar risada”, diz.

    “A cada dia que passa, vamos superando mais ainda”.

    O ator relembra o início da carreira como ator, quando interpretava papéis estigmatizados e comemora o que considera uma evolução nos últimos anos.

    “Quando eu comecei a trabalhar, comecei fazendo novelas, principalmente de escravos. Naquela época, os papéis para homens negros eram só para interpretar escravos e para mulheres, só para domésticas.”, destaca.

    E comemora. “Hoje não, já abriu mais, você já vê o homem preto como médico, sendo um doutor, dono de loja. Já fiz muitos comerciais de carro. Antes, você não via preto fazendo comercial de carro, de banco ou de cosmético. Mas hoje, graças a Deus, tem. A cada dia que passa, vamos superando mais ainda”.

    Pluralidade 

    A ação quis trazer junto com o Papai Noel Joel o papel de transformar a sociedade, que começa pela conscientização desde cedo, explica Vivian Oliveira, coordenadora de Marketing do Madureira Shopping.

    “Estamos alertando a sociedade sobre a importância da representatividade na formação da identidade de uma criança. E o retorno foi imediato. Não apenas de crianças, mas também de adultos. Muitos clientes encontraram aqui o seu lugar de respeito, acolhida e pertencimento. E é esse o espírito que queremos perpetuar no shopping: de empoderamento do nosso público.”

    Ter um Papai Noel negro é significativo, faz com que as crianças se sintam representadas”, complementa Vivian.

    Papai Noel conectado

    Devido à pandemia do novo coronavírus neste ano, muitos shoppings no Brasil tiveram que se adaptar e optaram pela interação virtual entre o ‘bom velhinho’ e as crianças.

    A proposta, neste shopping do Rio de Janeiro, é que os pequenos façam seus pedidos especiais por meio do “WhatsNoel”.

    O shopping disponibiliza um número de telefone por meio do qual é possível receber um vídeo do Papai Noel.

    Ou então, caso deseje um atendimento mais personalizado, é só agendar um horário para que seja realizada uma chamada de vídeo ao vivo com o “bom velhinho”

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