Acidente com carro alegórico no Rio: Polícia Civil apreende veículo e ouve testemunhas

Menina de 11 anos morreu nesta sexta-feira (22) depois de sofrer um acidente no abre-alas da escola ‘Em Cima da Hora’ durante o desfile de quarta-feira (20); presidente da agremiação prestará depoimento na Polícia Civil

Desfile da escola de samba "Em Cima da Hora" no Carnaval carioca
Desfile da escola de samba "Em Cima da Hora" no Carnaval carioca Tomaz Silva/Agência Brasil

Filipe Brasilda CNN*

no Rio de Janeiro

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu o carro alegórico envolvido no acidente nas imediações da Sapucaí, nesta quarta-feira (20), que causou a morte de Raquel Antunes da Silva, de 11 anos.

A criança subiu no abre-alas da escola ‘Em Cima da Hora’ já fora do sambódromo e teve as pernas imprensadas contra um poste. Ela passou por cirurgia, teve uma das pernas amputada na quinta-feira (21), mas não resistiu e morreu nesta sexta-feira (22).

O presidente da agremiação foi convocado pela Polícia Civil para prestar depoimento nesta sexta, mas pediu para depor na segunda (25). No mesmo dia, a polícia espera também o depoimento do auxiliar da empresa Carvalhão, que trabalhava como guia do caminhão que puxava o carro alegórico no momento do acidente.

A corporação informou que também já realizou perícia no local, ouviu o condutor do carro e um ajudante, e solicitou imagens de câmeras de segurança da região.

O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio (CBMERJ) informou que nenhuma das escolas de samba que desfilaram na quarta (20) estava com suas alegorias regularizadas. Segundo o CBMERJ, nos dias 12 e 18 deste mês, a corporação comunicou às ligas responsáveis pela festa de que as agremiações não haviam entrado com pedido de regularização dos carros.

Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, quando não há a regularização, a liberação dos desfiles cabe à Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liga RJ), responsável pelas escolas do Grupo de Acesso (Série Ouro), e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio, responsável pelo Grupo Especial.

Segundo o CBMERJ, ao permitirem a entrada dos veículos nos desfiles, as ligas assumem, junto com as escolas, os riscos de possíveis acidentes.

O governador Cláudio Castro manifestou solidariedade aos parentes da menina em seu perfil no Twitter. Castro afirmou que o governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Assistência à Vítima (Seavit), está prestando assistência psicológica aos familiares.

O prefeito Eduardo Paes também se manifestou em suas redes sociais sobre a morte da criança de 11 anos.

“A morte da pequena Raquel nos deixa um grande sentimento de tristeza. Vamos acompanhar de perto a investigação policial que apura as responsabilidades e estamos, através de nossa secretaria de Assistência, dando apoio aos familiares”, disse o prefeito em postagem nas redes sociais.

Novas medidas de segurança

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, na noite desta quinta-feira (21), medidas para garantir mais segurança para crianças e adolescentes durante os desfiles e no entorno da Marquês de Sapucaí. A decisão foi publicada após um pedido do Ministério Público estadual, que afirmou que os desfiles de quarta (20) violaram normas de segurança.

Na decisão dessa quinta, o TJ-RJ determinou:

  • que todas as escolas de samba dos grupos de acesso, especial e mirins façam a escolta de seus carros alegóricos até os barracões para evitar o acesso de crianças e adolescentes nos veículos;
  • que a Polícia Militar coloque viaturas nas ruas do entorno da Marquês de Sapucaí e que a Guarda Municipal disponibilize pelo menos dois agentes para circulação a pé;
  • que o Conselho Tutelar e agentes da Secretaria Municipal de Assistência Social abordem os familiares das crianças e adolescentes presentes no entorno do sambódromo, orientando sobre deveres e responsabilidades com relação aos riscos para os menores.

No despacho, o juiz Sandro Pitthan Espindola afirma que “a responsabilidade é de todos nós e começa pela educação de nossas crianças, que jamais poderiam permanecer expostas e sozinhas em um local tão perigoso como a área de dispersão dos desfiles das escolas de samba, bem como vias públicas do entorno do Sambódromo”.

Respostas

A Liga-RJ afirmou que lamenta profundamente a morte de Raquel Antunes e se solidariza com familiares e amigos da jovem. Em nota, a liga acrescentou que o acidente aconteceu do lado de fora do Sambódromo e que segue acompanhando o caso e colaborando com as autoridades.

A escola Em Cima da Hora afirma que não vai se pronunciar sobre o caso.

 

*Sob supervisão de Helena Vieira

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