Aldeia onde morreu menina ianomâmi foi queimada e abandonada por moradores, diz conselho

Denúncia diz que morte da garota ocorreu após ter sido estuprada por garimpeiros; PF e outros órgãos estão na região para investigações

Comunidade em Aracaçá, em Roraima, onde ficava aldeia com indígenas ianomâmi,
Comunidade em Aracaçá, em Roraima, onde ficava aldeia com indígenas ianomâmi, Reprodução/Codisi-YY

Giovanna Bronzeda CNN

São Paulo

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O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, disse nesta sexta-feira (29) que os índios que viviam na comunidade em que ocorreu a morte de uma menina ianomâmi de 12 anos queimaram a aldeia e saíram da área.

Uma operação da Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e a Secretaria Especial de Saúde e Indígena (SESAI) estão na região onde fica a aldeia para investigar a morte da garota, denunciada na segunda-feira (25) pelo Condisi-YY.

Segundo a denúncia, a menina foi atraída por garimpeiros que atuam na área e estuprada, o que teria ocasionado sua morte. Uma outra criança de 3 anos está desaparecida. Segundo a denúncia dos membros da aldeia, a criança havia sido jogada dentro do rio.

“Não foram encontrados indícios da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito por afogamento, conforme narrados na denúncia. As equipes, portanto, ainda estão em diligência em busca de esclarecimentos”, informou a comunicação da força-tarefa.

Em vídeo encaminhado à CNN, o presidente do conselho relata que a comunidade em Aracaçá, em Roraima, foi queimada e abandonada pela maioria de seus moradores.

Como parte das tradições da etnia ianomâmi, o corpo da menina que foi morta na aldeia também foi queimado. “Alguns lideres Indígenas se reuniram e analisaram as imagens da comunidade queimada e relataram que, conforme costume e tradições, após a morte de um ente querido a comunidade em que ele residia é queimada e todos vão para outro local”, informou o conselho.

“Por fim, esclarecemos que continuaremos a investigar e cobrar que os órgãos competentes atuem para retirada imediata dos criminosos que estão no Território Indígena Yanomami”, finaliza o comunicado do Condisi-YY.

A organização indígena denuncia que garimpeiros estão coagindo e orientando os indígenas a não falarem sobre o que ocorre dentro da comunidade. Alguns indígenas relataram para o Condisi-YY que teriam recebido 5 gramas de ouro dos garimpeiros para não falar sobre o caso.

“Relataram ainda que, outros crimes já aconteceram na região, e que recentemente um recém-nascido foi levado para capital de Boa Vista por um garimpeiro que alegava ser pai da criança”, informou um comunicado da Condisi.

 

 

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