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    Alvo recente de criminosos, Bar Brahma gasta R$ 50 mil por mês com segurança

    Há 75 anos no mesmo lugar, Álvaro Aoas vê o espaço como símbolo de resistência da cultura paulistana

    Duda CambraiaThais Magalhãesda CNN

    Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (6), Álvaro Aoas, proprietário do Bar Brahma, local depredado após tentativa de assalto a clientes afirmou que investe R$ 50 mil por mês em segurança.

    O estabelecimento, situado no famoso cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital paulista, foi alvo de criminosos no último domingo (3).

    Numa tentativa de reverter o clima de insegurança na região, o empresário pediu ajuda da população: “a gente convoca a ocupação dos lugares no centro de São Paulo”.

    “O bar Brahma ta aqui há 75 anos, é um espaço de resistência em São Paulo através da cultura, música e entretenimento”, acrescenta o proprietário.

    Álvaro afirma que o centro de São Paulo passa por um movimento de degradação, mas que “percebe uma situação única onde a prefeitura e o estado se juntaram para fazer um trabalho de transformação, que vai ser de médio a longo prazo”.

    Para agora, o dono do Bar Brahma afirma que é necessário tirar o centro de São Paulo da “UTI” e que isso só será possível se a população ocupar os bares, restaurantes e espaços culturais, “um protesto do bem”.

    “A questão da insegurança da rua é que existem uns bandos que se aproveitam da situação da Cracolândia e vão ocupando o espaço, mas o ataque não é da Cracolândia, é de assaltantes de celulares”, afirma Álvaro.

    “Quantos os agentes de bem desocupam, eles (criminosos) tomam conta. É aquele ditado: quando os gatos saem, os ratos fazem a festa”, complementa.

    Depois do ataque, Álvaro clama por ajuda dos cidadãos: “Temos que chamar a população para vir frequentar, esse é o socorro que a gente precisa”.

    “Qualquer grande cidade do mundo, o primeiro lugar que você quer conhecer é o centro. Aqui, a gente tem medo e vergonha”, afirma dono do Bar Brahma.

    Álvaro ainda disse que a depredação vai abalar o movimento do bar, mas vê o lugar como um símbolo de resistência e acredita que vai se recuperar.

    O caso

    O famoso Bar Brahma, localizado há 75 anos na esquina da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, foi alvo de ataques e de vandalismo na tarde deste domingo (3). No vídeo, que viralizou nas redes sociais, é possível ver pelo menos dez homens arremessaram pedras e objetos no estabelecimento, quebrando janelas e derrubando mesas.

    Um deles arremessa um cone, que fica preso na porta do bar. Um carro estacionado na frente do restaurante também foi atacado e teve seus vidros quebrados.

    Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar foi acionada para o local após uma tentativa de assalto, onde a vítima reagiu e imobilizou o criminoso. Os demais criminosos da quadrilha então começaram o ataque até que o homem detido fosse liberado.

    O que diz a Secretaria de Segurança Pública

    A Secretaria de Segurança de São Paulo disse que reforçou o policiamento na região no início de 2023 e que mais de 5 mil criminosos foram presos no centro da cidade somente este ano.

    Veja o posicionamento completo da pasta:

    “A região central é uma das prioridades da SSP, e desde o começo do ano o policiamento foi reforçado com 120 policiais militares que atuam diariamente na Operação Impacto-Centro, com a Operação Resgate e AC35 da Polícia Civil e com a atividade delegada.

    Além disso, a SSP passou a realizar, desde setembro, o tornozelamento de infratores soltos em audiência de custódia na Capital e assinou um Termo de Cooperação com o Poder Judiciário que facilitará a identificação e comunicação, pelos policiais ao Poder Judiciário, dos criminosos que descumprem as condições de penas ou medidas alternativas nas ruas do Estado.

    Desde julho, já foram identificados e comunicados ao Poder Judiciário mais de 250 casos na região central. Este reforço resultou no aumento das prisões e apreensões neste ano em relação ao ano passado.

    De janeiro a outubro deste ano, as polícias prenderam 5.455 criminosos na região central (aumento de 28%), apreenderam 114 armas de fogo (aumento de 39%) e 1,5 tonelada de drogas (aumento de 244%).

    Em relação aos crimes praticados, o aumento das ações e presença policial resultou na reversão de seguidas altas em 2022 para quedas em roubos e furtos desde abril deste ano. Em toda a região central, as quedas de 6% de furtos e de 15% de roubos desde abril resultaram em 4856 vítimas a menos de roubos e furtos quando comparados aos crimes registrados no mesmo período do ano passado.”