Amigos da Cinemateca: Toda memória da cultura brasileira pode ter sido perdida

Galpão da Cinemateca Brasileira foi atingido por um incêndio, em São Paulo

Produzido por Renata Souza, da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (30), Carlos Augusto Calil, presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, afirmou que “toda memória da cultura brasileira” pode ser sido perdida após um incêndio na noite desta quinta (29) tomar conta de três salas do galpão da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo, e parte do acervo ser destruída. 

“Muito provavelmente perdemos toda a memória da atuação pública, do governo federal, na área de cinema desde 1967, desde a criação do Instituto Nacional do Cinema. Depois, esse instituto foi substituído pela Embrafilme, [mais tarde] pelo Conselho Nacional do Cinema e depois foram extintos pelo governo Collor, foi criada uma Secretaria Nacional do Audiovisual”, disse Calil.

“Toda sua memória, documentação, tramitação da política pública, investimentos, produções, que constituem um material de quatro toneladas de papel se perdeu definitivamente.”

Segundo o especialista, é possível também que o incêndio tenha destruído os equipamentos antigos do cinema e a coleção de filmes da Pandora Filmes — distribuidora de São Paulo que tem mais de 20 anos de atuação e que depositou na Cinemateca cópias de coleção de filmes.

Calil afirmou ainda que o que foi perdido não pode ser recuperado. “Não tem mais memória da política pública de cinema do Brasil. Como essa política pública está desativada neste momento pelo atual governo, as coisas meio que combinam, no sentido de que o passado foi simplesmente eliminado e o presente não existe.”

Vista aérea do galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina
Vista aérea do galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, nesta sexta, um dia depois do incêndio
Foto: Ronaldo Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo

Incidente

De acordo com uma representante do Corpo de Bombeiros, há uma estimativa preliminar de que o fogo atingiu cerca de 300 m², área com três salas de arquivos históricos. Apesar disso, o incidente não deixou vítimas.

Em nota enviada à CNN, a Secretaria Especial da Cultura afirma que lamenta o ocorrido e acompanha situação. Além disso, o comunicado ressalta que todo o sistema de climatização do espaço passou por uma manutenção há cerca de um mês, como parte de um esforço do governo federal para manter o acervo.

Segundo a representante da corporação, os bombeiros civis relataram que o princípio de incêndio foi, de fato, por um processo de manutenção, mas que ocorreu nesta quinta-feira. 

Às 23h desta quinta, o Corpo de Bombeiros informou, em uma publicação no Twitter, que o incêndio havia sido extinto. “Uma viatura irá ficar no local durante a madrugada para eventuais problemas”, diz a nota. 

(*com informações de sob supervisão de Elis Franco)

 

 

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