Apenas 25,8% da Mata Atlântica está preservada, aponta estudo

A Bahia foi o campeão em perda de mata nativa com 9,6 mil km2. Logo depois aparece o Rio Grande do Sul com uma redução de 6,8 mil km2 de floresta

Lucas Janoneda CNN

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Um estudo inédito feito por ambientalistas do MapBiomas aponta que apenas 25,8% da cobertura florestal da Mata Atlântica está preservada. 70% da população brasileira vive em regiões com esse tipo de bioma. As informações foram divulgadas, nesta quarta-feira (15), durante um webinar nas redes sociais. O estudo foi produzido a partir de um mapeamento de imagens de satélite entre 1985 e 2020.

O levantamento mostra que existem aproximadamente 465 mil km2 de Mata Atlântica remanescentes, localizados em 17 estados brasileiros, sendo São Paulo e Rio de Janeiro os locais com a maior concentração da vegetação. O mapeamento traz que apenas um quarto da floresta nativa ainda está preservada. Outros 25% da área inicial da Mata são ocupados por pastagens, 16,5% agricultura, 15% por mosaicos rurais e 10,5% por outras formações naturais.

A Bahia foi o campeão em perda de mata nativa com 9,6 mil km2. Logo depois aparece o Rio Grande do Sul com uma redução de 6,8 mil km2 de floresta, seguido por Santa Catarina 6,3 mil km2 e Paraná com 3,7 mil. O estado do Rio de Janeiro apresentou os menores índices de desmatamento entre os estados.

A cobertura florestal de mata atlântica no Brasil passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020. Segundo o estudo, isso significa que “a cobertura florestal manteve-se praticamente estável nos últimos 30 anos, após um período de alto desmatamento ocorrido entre 1985 e 1990”. Neste período, houve perda de 10 milhões de hectares de vegetação primária e a vegetação secundária, formada por matas mais jovens, ganhou 9 milhões de hectares.

O coordenador técnico do Map Biomas, Marcos Rosa, ressalta que essa estabilidade da cobertura florestal pode ser enganosa. Para ele, há uma falta de iniciativa ao reflorestamento.

“A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação. Além disso, uma área abandonada por quatro ou cinco anos já tem floresta em estágio inicial, mas muitas vezes ela é desmatada, evitando que essa floresta se recupere. Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas”.

O presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, explicou à CNN nesta terça-feira (14), que acredita que esse panorama não foi pior por conta da lei federal n° 11.428 homologada em 2006, que ampliou o número de áreas preservadas.

“O mais importante é que a lei foi feita em Brasília, mas ela é regulamentada por cada estado. Ou seja, cada local sabe das suas peculiaridades. Resumindo, a lei protege 12% da área original da Mata Atlântica, além das florestas secundarias em estágio médio e avançado. Na prática, só as florestas em estágio inicial podem ser mexidas”, disse o presidente.

Importância da floresta para o sistema energético

O estudo também ressalta que a floresta é ‘fundamental’ para as bacias hidrográficas brasileiras, que apresentam os piores níveis dos últimos 91 anos, segundo o boletim mais recente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O órgão prevê que os níveis de armazenamento do subsistema da região Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) cheguem a uma média de 14,9% até o fim de setembro.

“A região da Mata Atlântica é fundamental para manter a qualidade do ar e o abastecimento de água e energia. Incentivar a recuperação de florestas no entorno dos rios, áreas de nascentes e de recarga dos sistemas de abastecimento urbano pode reduzir o risco hídrico para essa população”, destaca um trecho da pesquisa.

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