Apenas 70,5% dos jovens mais pobres têm acesso ao ensino médio

41,2% dos jovens de 19 anos pertencentes a famílias de renda mais baixa não concluíram as aulas em 2020

Larissa CoelhoRodrigo Maiada CNN

em São Paulo

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A cada dez jovens de 15 a 17 anos dos domicílios mais pobres do Brasil, sete estavam no ensino médio em 2020. Entre os residentes de lares mais ricos, nove a cada dez frequentam a escola na etapa adequada.

Isso significa que 29,5% dos jovens das famílias brasileiras de renda mais baixa encontram-se em defasagem escolar, ainda no ensino fundamental, ou simplesmente estão fora da escola, por abandono ou evasão. Os dados são do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2021.

As diferenças regionais também são significativas: enquanto, em São Paulo, 87% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados no Ensino Médio, no Amapá, essa proporção era de apenas 49,1%.

Quando analisada a taxa de conclusão, as desigualdades de acesso são ainda maiores. Entre os mais ricos, 92,6% dos jovens mais ricos de até 19 anos haviam terminado o ensino médio. Já entre os mais pobres, apenas 58,8% concluíram essa etapa.

O cenário de evasão escolar no Brasil preocupa autoridades, que buscam maneiras de conter o abandono das atividades escolares entre jovens de 15 a 17 anos.

Na última quinta-feira, o governador de São Paulo, João Doria, anunciou um benefício de R$ 1.000 por ano para estudantes do ensino médio em situação de vulnerabilidade. Serão beneficiados, em 2021 e 2022, 300 mil alunos da rede estadual, e cada um deles receberá o valor dividido em parcelas mensais.

Para fazer parte do programa, os alunos deverão ter frequência escolar mínima de 80%, fazer provas e estudar de duas a três horas por dia pelo aplicativo Centro de Mídias SP. Os estudantes da 3ª série do Ensino Médio deverão ainda realizar atividades preparatórias para o Enem.

O programa é um braço do Bolsa do Povo Educação, anunciado em julho, que pagará R$ 500 mensais a 20 mil pais e mães de estudantes. O financiamento, vem da Secretaria de Educação de São Paulo, que vai investir R$ 400 milhões no programa.

As inscrições para o programa poderão ser realizadas entre 30 de agosto e 10 de setembro pelo site Bolsa do Povo.

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