Após confirmação de Ômicron no Brasil, governo do RJ rediscute Réveillon

Secretário de Saúde do estado, Alexandre Chieppe, disse à CNN que festa vai depender de como a variante se comportar

Dados de 3 das principais agências de viagens brasileiras indicam que Rio de Janeiro é o destino nacional mais procurado para o Réveillon
Dados de 3 das principais agências de viagens brasileiras indicam que Rio de Janeiro é o destino nacional mais procurado para o Réveillon Divulgação/Riotur (1.jan.2020)

Pedro Duranda CNN

no Rio de Janeiro

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O comitê de especialistas em saúde que assessora o governo do Rio de Janeiro vai se reunir, nesta quarta-feira (1º), pela primeira vez logo depois da identificação de dois casos de brasileiros com a variante Ômicron no país. Entre as pautas discutidas está a festa de Réveillon, que pode reunir milhões de pessoas na capital fluminense, especialmente nos três palcos projetados para a praia de Copacabana. A reunião é virtual e está marcada para as 11h da manhã.

O avanço da variante identificada no sul da África tem provocado uma mudança de postura de autoridades políticas pelo mundo. Em entrevista à CNN logo depois da confirmação do sequenciamento da linhagem em um casal da cidade de São Paulo, o secretário estadual de saúde, Alexandre Chieppe, condicionou a autorização para a festa ao comportamento da Ômicron.

“O reveillon ele depende do que a Ômicron é. A gente não sabe ainda. Se a Ômicron se mostrar mais agressiva que a Delta, que tá aqui, e se a Ômicron se mostrar mais resistente à vacina do que a própria Delta, aí a gente tem um problema pela frente”, afirmou.

Embora a festa seja realizada pela prefeitura do Rio de Janeiro, o governo do estado pode vetar o evento. A prerrogativa de que a medida mais restritiva se sobrepõe às outras foi definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e já valeu na prática na capital fluminense, quando a prefeitura autorizou a dispensa a máscaras em academias de ginástica, mas a regra do estado fez o item continuar sendo obrigatório.

Uma das ideias de Chieppe, caso os grupos técnicos de assessoramento da prefeitura da capital e do governo estadual discordem, é fazer uma reunião conjunta. Para ele, a chegada da variante ao estado é inevitável. Ele defende um acompanhamento diário dos casos.

Nessa segunda-feira, o comitê de especialistas que assessora a prefeitura do Rio de Janeiro decidiu que não há motivos para não manter autorizada a festa da virada. No entanto, o próprio governador Cláudio Castro (PL), havia dito antes mesmo da chegada da variante, que os primeiros 15 dias de dezembro serviriam para avaliar o cenário sobre a realização do Réveillon.

“Ela vai entrar no Rio de Janeiro. Não tenho dúvida nenhuma. É impossível que ela não entre em algum momento no Rio de Janeiro. Como vai entrar em qualquer local do mundo. O que resta a gente saber é que variante é essa em termos de agressividade, de transmissão e de risco de evolução para formas graves [da doença] e se existe algum tipo de resistência, isso é, se a vacina que a gente utiliza, tem menor eficácia em relação a essa variante. É isso que vai responder e que vai definir as mudanças de conduta em relação a qualquer outra coisa”, afirmou o secretário do estado.

Variante identificada pela primeira vez no sul do continente africano, a Ômicron tem mais mutações do que todas as outras variantes identificadas até então, incluindo uma mutação específica da proteína Spike – que liga o vírus às células humanas – o local mais frequentemente utilizado para fazer produção das vacinas.

“Qualquer mudança de cenário, eventualmente a gente vai ter que rever tudo. Eu não tenho dúvida disso. A gente tem que avaliar dia após dia. O planejamento para Réveillon tem que começar agora. Agora, se efetivamente ele vai acontecer, em se mantendo um cenário atual ou se mantendo cenário futuro com base no cenário atual, sim, ele vai acontecer. Qualquer outra mudança a gente tem que rever”, disse Chieppe.

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