Após um ano da morte do menino João Pedro, inquérito ainda não foi concluído

Adolescente foi assassinado durante operação policial em uma favela em São Gonçalo (RJ), em maio de 2020

João Pedro Mattos, de 14 anos, morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ)
João Pedro Mattos, de 14 anos, morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ) Foto: Reprodução/Twitter @_danblaz

Beatriz Puente, da CNN, no Rio de Janeiro*

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Um ano após a morte do adolescente João Pedro, de 14 anos, assassinado durante uma operação policial em uma favela em São Gonçalo (RJ), o inquérito policial não foi concluído. Para chamar atenção das autoridades, Organizações Não-Governamentais promoveram atos no Rio de Janeiro e em São Gonçalo para cobrar uma resposta da polícia. A morte do adolescente completou um ano nesta terça-feira (18). 

João Pedro foi morto no dia 18 de maio de 2020, quando a casa onde estava com outras cinco crianças, no Complexo do Salgueiro, foi invadida por policiais civis e federais que participavam de uma operação contra traficante de drogas que atuam na região.

Na ocasião, a polícia afirmou que durante uma perseguição os criminosos teriam invadido o imóvel e trocado tiros com os policiais. Os adolescentes negaram a versão da polícia. Após a troca de tiros, a casa, que pertence aos tios de João Pedro, ficou com 72 marcas de tiros.

A mãe de João Pedro, Rafaela Matos diz que ainda não sabe a conclusão do laudo da reprodução simulada e que a investigação praticamente não teve avanço. O caso está em andamento junto à 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada dos Núcleos Niterói e São Gonçalo, do Ministério Público do Rio. 

“Nada aconteceu no decorrer desse um ano. A gente acha que eles estão tentando levar, completar muitos anos para não ser feito nada”, conta a mãe do jovem.

Uma faixa de 10 metros com a frase “Um ano sem respostas para um crime praticado pelo Estado. João Pedro, 14 anos” foi estendida na Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão postal da cidade do Rio de Janeiro. Um outro cartaz foi colocado em frente à casa onde a família do menino ainda mora, no Complexo do Salgueiro. 

Manifestantes pedem Justiça após um ano do assassinato do garoto João Pedro, de
Manifestantes pedem Justiça após um ano do assassinato do garoto João Pedro, de 14 anos, no RJ
Foto: Divulgação/ ONG Rio da Paz

A Anistia Internacional divulgou uma nota cobrando atitudes do estado para solucionar o caso e acabar com a violência.

“Mais uma família negra e moradora de uma favela foi destruída pela dor e pela violência do Estado. O governo do Estado do Rio de Janeiro precisa colocar em prática uma política de segurança pública que preserve e garanta o direito básico à vida. Um ano depois da operação, as autoridades responsáveis pelas investigações ainda não concluíram o inquérito policial que apura o homicídio. É urgente que o Ministério Público cumpra o seu papel para realizar uma investigação independente e imparcial”, pontua Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil. 

Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) do Rio de Janeiro, a reprodução simulada do caso foi feita de forma conjunta entre peritos da instituição e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), no ano passado. A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) aguarda o resultado do exame realizado pelo MP para anexar ao inquérito.  

Além disso, a Defensoria Pública e o Ministério Público Estadual solicitaram à Polícia Civil de São Paulo uma contraperícia de balística nas armas apreendidas durante a ação. A Polícia Civil do Rio de Janeiro também aguarda este último laudo para a conclusão do procedimento policial.

O Ministério Público informou que aguarda o Relatório Final do Inquérito da Delegacia de Homicídios e que trabalha para a conclusão do laudo independente da reconstituição no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que foi instaurado.

Ato relembra um ano de morte do garoto João Pedro, assassinado em uma operação p
Ato relembra um ano de morte do garoto João Pedro, assassinado em uma operação policial no RJ
Foto: Divulgação/ONG Rio de Paz

Sob supervisão de Isabelle Resende

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