Antártica tem menos de 1% de área livre de gelo, diz mapeamento brasileiro

Levantamento do MapBiomas utilizou imagens dos satélites Sentinel-2, com resolução de 10 metros, feitas entre 2017 e 2025; desse total apenas 5% está coberto por vegetação

Julia Naspolini, da CNN Brasil*, Thiago Félix, da CNN Brasil, São Paulo
Ilha Ardley, na Antártica, com cerca de 1,6 km de comprimento e lar de várias colônias de pinguins
Ilha Ardley, na Antártica, com cerca de 1,6 km de comprimento e lar de várias colônias de pinguins  • Dan Charman
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O instituto brasileiro MapBiomas divulgou, nesta segunda-feira (1º), uma pesquisa que mostra as áreas livres de gelo e as que são cobertas por vegetação durante os meses do verão antártico. 

O mapeamento revelou que as áreas livres de gelo ocupam 2,4 milhões de hectares, menos de 1% da área total da Antártica, que é de 1,366 bilhão de hectares. Destas áreas livres de gelo, aproximadamente 5% estão cobertas por vegetação, totalizando pouco mais de 107 mil hectares.

Neste mesmo dia, em 1959, foi assinado o Tratado da Antártica que estabelece o continente como área internacional e de pesquisas científicas, com participação de 58 países. O Brasil aderiu ao acordo apenas em 1975, estabelecendo uma base em 1984. 

 

Como um 'mini-camarão' se tornou ponto chave para o futuro da Antártica

A vegetação na Antártica se desenvolve nas áreas livres de gelo que ocorrem principalmente nas ilhas, na região costeira e na Península Antártica, mas também podem ser identificadas no topo das cadeias de montanhas do interior do continente. 

Mapear áreas livres de gelo e cobertas por vegetação é crucial para o monitoramento dos impactos das mudanças do clima no ambiente antártico.
Eliana Fonseca, coordenadora do mapeamento

A coordenadora do projeto explica que o mapa de áreas livres de gelo é importante para monitorar a fauna da Antártica, já o mapa de vegetação é essencial para avaliar a produtividade dos ecossistemas, o que permite monitorar as mudanças ambientais e regiões sensíveis.

 “Acompanhar a dinâmica natural do continente antártico também se justifica por sua  influência direta sobre o clima do hemisfério sul, atuando como um regulador térmico global e sendo o local de nascimento das frentes frias, que também influenciam a precipitação pluvial no sul do planeta Terra”, completa a cientista.

*Sob supervisão de Thiago Félix