Brasil lança primeira expedição científica neutra em carbono na Antártica
Missão, chamada de Criosfera 1 2025/2026, é resultado de uma parceria entre a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e diversas outras organizações

O Brasil vai inaugurar a primeira expedição científica no interior da Antártica da história, realizada em formato totalmente neutro em carbono. A missão, chamada de Criosfera 1 2025/2026, é resultado de uma parceria entre a UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e diversas outras organizações.
A missão faz referência ao primeiro laboratório remoto e autônomo de pesquisas do país — alimentado exclusivamente por energia solar e eólica — localizado no Centro da Antártica, a cerca de 2.500km da Estação Comandante Ferraz e a aproximadamente 600 quilômetros do Polo Sul geográfico.
O laboratório foi instalado em 2012 e transmite dados em tempo real sobre parâmetros atmosféricos e ambientais considerados importantes para entender fenômenos globais climáticos, como o derretimento do gelo polar e a dinâmica das massas de ar que influenciam o clima no Brasil.
Os objetivos da missão incluem a substituição de sensores climáticos e turbinas eólicas, a instalação de novos equipamentos e a continuidade do monitoramento ambiental em uma das regiões considerada uma das mais sensíveis às mudanças climáticas e responsável por reservar 70% da água doce do planeta.
Ainda, entre os destaques da missão estão a instalação de um medidor de black carbon — equipamento que vai monitorar as grandes queimadas globais — e um fotômetro da Nasa, aparelho cuja intenção é avaliar a coluna atmosférica, camada de ar que se estende sobre a área de monitoramento na Antártica.
Entre uma das empresas que apoiam a ação, está a Ambipar, organização que, além de auxiliar o desenvolvimento de soluções ambientais e tecnológicas, também viabilizou a neutralização total das emissões da expedição ao usar créditos de carbono emitidos pela própria empresa.
Além da soluções tecnológicas, a corporação também contribuiu para a confecção de equipamentos de proteção individual para enfrentar temperaturas de até – 40 °C, incluindo roupas internas e externas, botas, luvas, óculos, meias, toucas e acessórios fabricados com materiais de baixo impacto ambiental.
Para o engenheiro ambiental Gabriel Estevam Domingos, pesquisador da Ambipar, a missão "representa um momento único para integrar inovação, sustentabilidade e pesquisa científica em um dos ambientes mais desafiadores do planeta. É uma oportunidade de testar tecnologias que poderão transformar futuras expedições antárticas”.


