Anvisa suspende Ypê: diretoria julga recurso da empresa nesta quarta (13)

Sessão começa às 14h e decidirá sobre a continuidade ou não do efeito suspensivo que foi aplicado à decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Ana Julia Bertolaccini, da CNN Brasil*, Rafael Saldanha, da CNN Brasil, em São Paulo
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A diretoria colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) julga, na tarde desta quarta-feira (13), o recurso da Ypê sobre a resolução da agência que suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição dos produtos da empresa.

O julgamento vai decidir se a Anvisa mantém ou não a proibição da fabricação e distribuição de lote de produtos da marca. A suspensão automática da Resolução 1.834/2026 ocorreu depois que a Ypê apresentou um recurso à Anvisa, na última sexta-feira (8).

Em coletiva nesta segunda-feira (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia adiantado que o caso seria avaliado com maior profundidade pela Diretoria Colegiada nesta quarta.

Segundo o ministro, os consumidores devem manter os produtos Ypê guardados em local seguro enquanto a empresa realiza o recolhimento dos lotes afetados. Ele reforçou que reservar os produtos pode ser importante tanto para o descarte correto quanto para eventual ressarcimento ao consumidor.

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Efeito suspensivo

De acordo com a Anvisa, o efeito suspensivo acontece automaticamente quando uma empresa apresenta um recurso contra uma decisão da Anvisa. Enquanto esse recurso ainda está sendo analisado, a decisão fica temporariamente suspensa.

Na prática, medidas como recolhimento de produtos, interdição ou proibição deixam de valer até que a Agência conclua a análise do recurso.

A retirada do efeito suspensivo é uma previsão legal aplicada em situações em que a Anvisa identifica risco à saúde da população e não é possível aguardar a conclusão do processo administrativo. Nesses casos, a Diretoria Colegiada (Dicol) pode decidir pela retirada desse efeito.

Quando isso acontece, a medida inicial da Anvisa — como proibição, interdição ou recolhimento de produtos — volta a valer imediatamente, mesmo que o recurso da empresa continue em análise.

A Dicol da Anvisa é formada formada pelos cinco diretores da Agência, a partir de sugestão da área técnica, quando esta identifica e justifica a existência de risco sanitário à população. Os diretores também podem optar que o tema seja votado em circuito deliberativo, que é uma votação on-line aberta à participação de cada diretor.

Entenda o caso

Anvisa suspendeu na última quinta-feira (7) a fabricação, comercialização, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida também determinou o recolhimento dos produtos afetados.

A decisão atingiu todos os lotes com numeração final 1 e foi tomada após inspeção realizada em parceria com órgãos da vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo, no interior paulista.

Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, incluindo falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação e podem levar à contaminação microbiológica dos produtos.

Na sexta-feira (8), a Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução. Com isso, a decisão da Anvisa passou a ter efeito suspensivo até análise da Diretoria Colegiada da agência.

Mesmo após obter a suspensão temporária da medida, a empresa informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos responsáveis pelos produtos envolvidos no caso.

A Anvisa orienta consumidores que possuem produtos dos lotes afetados a interromper imediatamente o uso e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para orientações sobre recolhimento ou substituição dos itens.