Biometria pode impedir sequestros de bebês; 66 menores desaparecem por dia
Sistema quer garantir o compartilhamento seguro de dados infantis, integrando-os a registros hospitalares e órgãos públicos

Uma tecnologia brasileira quer impedir troca e sequestro de bebês no Brasil por meio da identificação biométrica de crianças de até sete anos. Dados do Ministério da Justiça revelaram que, em 2025, 66 menores de idade desapareceram por dia no país.
O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) exige que o Estado realize uma identificação precisa de todas as crianças do país, além da identificação de vínculo entre bebês e suas mães.
A coleta de biometrias ainda na infância já funciona em nove estados brasileiros e é usada para outras diversas funções além do combate a sequestros, como coleta para testes e processo de adoção.
No Mato Grosso e no Piauí, os equipamentos já realizam funções em larga escala em postos de identificação, cartórios, prefeituras e hospitais. O grupo responsável pela tecnologia trabalha em parceria com mais de 30 pesquisadores da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) focados em biometria avançada.
No entanto, não há uma delimitação de leitores biométricos relacionados à essa identificação, pois os leitores comuns não são sensíveis à identidade e nitidez de digitais infantis.
Tendo em vista essa lacuna na segurança de crianças e adolescentes, desde 2012 a empresa Infant.ID realiza pesquisas para resolução da falta de leitura biométrica neonatal. A empresa desenvolveu uma tecnologia com ultra resolução até dez vezes maior do que a de equipamentos padrões, permitindo a coleta da biometria ainda nas primeiras horas de vida.
O diretor executivo da Infant.ID, José Ricardo Tobias, explica que “A demanda é nacional, mas como ainda não existe uma normativa federal consolidada, a tecnologia precisa ser homologada estado por estado”.
Responsabilidade pelos dados
De acordo com o diretor executivo, a empresa tem o objetivo de implementar equipamentos de maneira comercial em algum país com homologação já em nível avançado até 2026. A tecnologia da Infant.ID é a única no mundo patenteada e com certificação do FBI e do NIST.
Devido à essas garantias, sistemas governamentais podem utilizar os dados coletados para garantir os direitos das crianças. A custódia dos dados também pertence aos estados, que ficam responsáveis por integrarem as biometrias aos sistemas hospitalares, institutos de identificação e órgãos públicos.
Com a segurança das biometrias ao estado, há a garantia de um compartilhamento seguro e eficiente dos dados, permitindo um acompanhamento facilitado ao longo da vida dos bebês.
*Sob supervisão de Thiago Félix


