Brasileira pode ter morrido por hipotermia em vulcão, avalia especialista

Médica especialista em resgate de emergência avalia condições em que brasileira estava submetida

Beto Souza, da CNN, em São Paulo
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A médica especialista em resgate de emergência, Karina Oliani, avalia que a hipotermia pode ter sido um fator fatal para Juliana Marins, de 24 anos. A brasileira foi encontrada sem vida nessa terça-feira (24), no vulcão Rinjani, na Indonésia, após passar quatro dias presa.

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Oliani ressaltou que, a 3700 metros de altitude no Monte Rinjani, Juliana "certamente enfrentou temperaturas abaixo de zero" durante as noites e entre "5,8ºC" ao longo do dia, condições extremamente frias para uma pessoa sem o preparo adequado.

"A hipotermia mata com certeza", disse a médica.

Deficiências no resgate

O trágico incidente de Juliana Marins expõe as deficiências em resgates especializados em muitos países. Oliani destaca que a Indonésia, um país mais pobre, carece de equipes treinadas, operando sob uma cultura de "cada um por si", um contraste com o Brasil, que possui equipes altamente capacitadas.

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Essa realidade foi vivenciada por Vinicius dos Santos, um turista brasileiro que desistiu de escalar o Rinjani ao perceber a "pouca infraestrutura e quase nenhuma condição de segurança" oferecida por empresas e guias locais, descrevendo a situação como "por sua conta e risco". Ele observou falta de sinalização, socorro lento e escasso, e guias sem equipamentos adequados.

Diante desses riscos, a médica enfatiza a importância fundamental de se ter um seguro resgate e de uma preparação rigorosa. É crucial realizar uma análise de risco detalhada, coletando informações técnicas sobre o local, clima e equipamentos necessários.

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Oliani sublinha a necessidade de levar itens essenciais como lanterna, água, um dispositivo de emergência (como Spot ou relógio com localização) e de comunicação, e, principalmente, informar alguém sobre a saída, destino e horário previsto de retorno.

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Em cenários onde o uso de helicópteros é inviável devido à altitude ou visibilidade, a especialista sugere que drones especializados na entrega de suprimentos (água quente, alimentos, roupas) poderiam ser alternativas vitais para combater a hipotermia e a desidratação.