Carro é o principal meio para ir até o trabalho no Brasil, diz IBGE

Censo revelou que 32% das pessoas que precisam se deslocar pelo menos três vezes por semana para o local de trabalho utilizam o automóvel, superando a proporção de 21,4% das que usam ônibus

Beto Souza, da CNN Brasil, São Paulo
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O automóvel é o principal meio para ir até o trabalho no Brasil, utilizado por 32,3% da população ocupada, segundo o Censo Demográfico 2022, produzido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Este padrão de deslocamento motorizado prevalece, apesar da maioria trabalhar no próprio município de residência.

Os quatro meios mais utilizados são automóvel (32,3%), ônibus (21,4%), a pé (17,8%) e motocicleta (16,4%), que juntos somam 87,9% dos deslocamentos no país. O uso de transportes de alta capacidade, como trem ou metrô é baixo. Apenas 1,6% utiliza este meio para se locomover até o trabalho.

O IBGE distinguiu os padrões de acordo com a classificação de cor dos entrevistados. Os dados mostram que 42,9% das pessoas brancas usam o carro. As pessoas de cor ou raça parda são o segundo grupo que mais usa o automóvel, representando 32,6% dos usuários desse meio. Já a população preta utiliza majoritariamente ônibus, sendo utilizado por 29,5%.

Quanto mais alto o nível de instrução, maior é o uso do automóvel. 57,8% dos trabalhadores com nível superior completo, utilizam carro. Aqueles sem instrução e fundamental incompleto são 18,9%.

Em termos de transporte individual motorizado combinado (automóvel ou motocicleta), 68,1% dos trabalhadores com nível superior completo adotam esses meios, contrastando com 37,1% do grupo sem instrução e fundamental incompleto.

Especialistas notam que esse cenário reflete o histórico de privilégio rodoviário e o descompasso entre crescimento urbano e transporte público.

“As informações sobre o deslocamento das pessoas para trabalho e para estudo são fundamentais para o planejamento urbano em diferentes níveis territoriais, fornecendo indicadores seguros relacionados à integração funcional entre localidades. São, portanto, estatísticas que podem contribuir para melhorar a qualidade de vida da sociedade”, destacou Mauro Sergio Pinheiro, analista da pesquisa.