Dupla acusada de golpes em soldados brasileiros na Rússia alega inocência
Segundo denúncias relatadas à CNN, Arthur Michel e Antônio Neto supostamente retiravam valores das contas de outros brasileiros após assinatura de procuração

Os brasileiros Arthur Michel e Antônio Neto, acusados de praticar golpes financeiros em brasileiros que foram à Rússia para lutar na guerra contra a Ucrânia, negaram qualquer prática ilícita praticada em supostas negociações.
Procurados pela CNN para falar sobre acusações de aplicarem supostos golpes financeiros contra jovens que pretendiam servir ao Exército russo na guerra contra à Ucrânia, a dupla alega ser inocente.
Em troca de mensagens com a CNN, Antônio Neto chama as acusações de "absurdas". “Isso é um absurdo. Moro na Rússia há 11 anos, sou médico e há alguns meses fiz um trabalho de tradutor para o Exército. Inicialmente [a acusação] era uma fraude de promessa de trabalho falso, agora mudaram a versão? Vocês sabem que temos inimigos no mundo todo, Europa etc, todos do lado da Ucrânia. E estão se juntando para falarem certos absurdos. Meus advogados já estão sabendo dessas insinuações infundadas e sem provas. E vamos tomar nossas providências”.
Antônio também enviou um áudio, onde Fernando Mazzo, uma das supostas vítimas, confirma que recebeu um valor da dupla para ajudar a comprar medicamento, "eu sei mais do que ninguém ai, que não é fácil para vocês, ter que tirar do bolso para ajudar a gente, e vocês terem que esperar mais do que 15, 20 dias para receber, não sai barato isso daí", diz Mazzo.
À CNN, Fernando Mazzo alega que mantinha uma relação amistosa, por medo de supostas ameaças e confirma os valores pagos para medicamentos. Mazzo mantém a versão que voltou para o Brasil, tendo contato com outros soldados que estavam sofrendo supostos golpes financeiros causados pela procuração obtida de maneira fraudulenta.

Já Arthur Michel, também em contato com a CNN, se manifestou e disse ter feito o trabalho de maneira voluntária e nunca ter cobrado. “Desde o ano passado, quando comecei a postar vídeos sobre o alistamento na Rússia sempre recebi diversas ameaças de pessoas que foram se alistar na Ucrânia e sempre contaram diversas mentiras. Fiz tudo de forma voluntária e nunca foi cobrado nada para isso. Toda documentação que ele (Anderson) assinou, foi dentro do Exército russo”, finaliza.
Entenda o caso
Após publicar em primeira mão o desaparecimento de Anderson de Oliveira Ferreira, a CNN teve acesso a outros soldados que acusam uma dupla de brasileiros de aplicar supostos golpes financeiros contra jovens que pretendiam servir ao Exército russo na guerra contra à Ucrânia.
Pelo menos cinco soldados brasileiros e de outros países da América do Sul entraram em contato com a reportagem para detalhar o suposto ‘modus operandi’ da dupla.
Segundo os relatos, Arthur Michel e Antônio Neto mantêm um canal de mensagens nas redes sociais sobre como se alistar no Exército russo, alguns brasileiros decidiram aplicar após contato com o material. O conflito entre os países se arrasta desde 2022.
Quando os novos recrutas chegavam à Rússia com recursos próprios, a dupla os auxiliava no processo de tradução dos documentos burocráticos e nos trâmites para o alistamento militar.
Mas um dos papéis assinados era uma procuração que dava acesso à conta bancária dos soldados. Inicialmente a dupla dizia que se tratava de um exame padrão psicológico admissional, segundo as acusações.
Depois de enviados para as missões, os militares perceberam saques e movimentações financeiras nas contas bancárias.


