Entenda diferenças entre resgate de Juliana Marins e menina em cânion no RS

Juliana Marins, de 26 anos, morreu no dia 22 de junho, após cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia; na última quinta-feira (10), Bianca Bernardom Zanella, de 11 anos, morreu após cair em abismo de cânion no Rio Grande do Sul

Felipe Souza, da CNN, Rafael Villarroel, da CNN*, em São Paulo
Compartilhar matéria

A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, morreu em junho deste ano após após cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia. Já no Brasil, na última quinta-feira (10) a menina Bianca Bernardom Zanella, de 11 anos, morreu após cair em um abismo do Cânion Fortaleza, no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul (RS).

Entretanto, as duas mortes deixaram dúvidas em relação às dificuldades de resgate das vítimas, devido às condições climáticas e por serem locais de difícil acesso.

À CNN, a médica e especialista em resgate em áreas remotas, Karina Oliani, explicou sobre alguns fatores que impactaram diretamente no tempo de resgate, além de pontuar e detalhar mais as operações em cada um dos casos.

Fatores geográficos e climáticos

Segundo Karina, alguns fatores climáticos, como a neblina e a baixa visibilidade, impactam diretamente os resgates, como ocorreu na Indonésia, além das chuvas que podem vir acontecer de repente, e que é comum no Parque Nacional da Serra Geral, em Cambará do Sul (RS), onde a menina Bianca morreu após cair no Cânion Fortaleza, além das baixas temperaturas que ocorrem na região sul do país.

Dessa forma, diante desses fatores, os helicópteros, que comumente utilizados para auxiliar as operações de buscas e resgates, podem perder a condição de voo.

Equipamentos utilizados

Dentre os equipamentos e tecnologias utilizados pelas equipes em situações de resgate como nesses dois casos, estão cordas longas, cadeiras de resgates, drones, câmeras térmicas, polias, rádios, incluindo comunicadores via satélite diante do baixo sinal nesse tipo de lugar.

Tempo de resposta para resgates

Nos dois casos, apesar de parecidos, o tempo de resposta que as equipes levaram para concluírem as operações foram bem diferentes um do outro.

Segundo Karina, o preparo das equipes, o país onde ocorreu cada caso e as tecnologias, ferramentas que as autoridades dispõem para o resgate, é fundamental para que a operação demore mais ou menos.

Na Indonésia, o resgate de Juliana demorou dias até que fosse concluído, diante da falta de estrutura e despreparo das autoridades, além das condições climáticas, que fizeram com que o tempo de resposta fosse maior.

Já no Brasil, a operação montada no Rio Grande do Sul foi realizada de forma muito mais rápido e efetiva pelas autoridades.

O resgate foi realizado por meio de rapel, ou seja, com a utilização de cordas para que o corpo fosse levado de volta ao topo do local de onde a menina caiu. Além disso, a localização da criança, que estava a 70 metros do local da queda, foi feita com o uso de um drone com câmera térmica.

A operação envolveu bombeiros de três municípios e equipes do Samu. Pelas redes sociais, o governador Eduardo Leite (PSD) informou que a operação de resgate contou também com apoio aéreo dos helicópteros da Brigada Militar e da Polícia Civil.

*Sob supervisão de Felipe Souza