Há um atraso grande nas NDCs, mas sou otimista, afirma Corrêa do Lago
Para presidente da COP30, demora dos países em definir compromisso de corte de emissões pode significar planos mais elaborados

Pouco mais de 20 países apresentaram, até agora, suas Contribuições Nacionalmente Determinadas. As NDCs são planos de ação climática que cada país deve estabelecer para reduzir suas próprias emissões de gases de efeito estufa, conforme definido no Acordo de Paris, que tem 194 nações mais a União Europeia como signatárias. O prazo inicial, que vencia em fevereiro, foi prorrogado.
Apesar dos atrasos, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, mantém o otimismo. Em entrevista à CNN, Corrêa do Lago, sugere que a atual lentidão pode, na verdade, levar a NDCs mais ambiciosas e bem elaboradas. Para ele, a economia circular surge como pilar fundamental para uma conferência focada em implementação, especialmente com o Brasil despontando como um ator central nessa agenda.
As NDCs estão cumprindo com as expectativas?
As NDCs internacionais, não. Há um atraso muito grande, mas esse atraso, possivelmente, está sendo compensado pelos países estarem fazendo NDCs muito cuidadosas e levando em consideração a crescente preocupação com as mudanças do clima.
Eu sou um otimista. Então, eu vejo que isso é de certa forma uma oportunidade das NDCs serem melhores e mais ambiciosas.
Os temas de recursos e economia circular deveriam ser prioridade na COP30? Se sim, como?
Eu acho que sim, eu acho que é muito importante esse conceito para a implementação. E como nós queremos, justamente, que seja uma COP de implementação, com soluções, eu acho que tem tudo a ver com a nossa ideia de ser uma COP de implementação.
A economia circular é um instrumento extremamente inteligente, extremamente útil e que cumpre com vários objetivos que a gente tem no combate à mudança do clima.
Então, como a gente quer uma COP que vai ter, por um lado as negociações, mas que tem, do outro lado, a agenda de ação e que a gente quer mostrar que existem soluções, que existem ações possíveis, eu acho que tem tudo a ver a gente botar na agenda de ação.
Na negociação, como você sabe, é muito complexo. Porque os temas que entram nas negociações tem que ser da própria agenda negociada por 198 países. Então a gente não pode se comprometer que uma coisa vai entrar porque ela depende de negociação.
Na agenda de ação, por outro lado, é uma coisa que depende muito mais da presidência e aí eu acho que tem tudo a ver, sobretudo quando você vê que o Brasil está se tornando um país absolutamente central nisso, não só por ter a quantidade de soluções que o Brasil pode apresentar, mas também por ter uma política de economia circular.
O que representa essa Aprovação do Plano Nacional de Economia Circular nesse momento pré-COP?
Representa muito, porque eu acho que a COP tem várias dimensões. Evidentemente, a primeira delas é internacional porque, afinal, é uma reunião internacional. Mas a COP, como a Rio92 foi há anos atrás, é uma oportunidade para o Brasil, inclusive de descobrir as suas potencialidades em várias áreas.
Uma delas é essa. Sobretudo tendo a legislação e tendo uma compreensão do quanto isso pode contribuir para o crescimento do Brasil. E para a gente ter uma forma mais inteligente de chegar às nossas NDCs, eu acho que é excelente que isso esteja acontecendo agora logo antes da COP.



