Orelhões estão desaparecendo e podem ser retirados a partir de janeiro
Em dezembro de 2025, o país tinha 38.454 orelhões; mudança ocorre após a adaptação dos antigos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime de autorização

Os orelhões estão cada vez mais raros nas ruas do Brasil e a retirada dos aparelhos deve se intensificar em 2026, a partir deste mês. Com o fim do modelo de concessão da telefonia fixa, empresas passaram a ter autorização para remover os telefones públicos considerados não obrigatórios.
Dados obtidos pela CNN Brasil mostram que, em dezembro de 2025, o país tinha 38.454 orelhões, número bem inferior aos 84.938 registrados em dezembro de 2024. Antes da pandemia, em janeiro de 2020, o Brasil contava com mais de 200 mil aparelhos.
Do total atual, 88,1% estão ativos e 11,9% em manutenção.
A mudança ocorre após a adaptação dos antigos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime de autorização, previsto na Lei Geral de Telecomunicações. Com isso, as empresas deixaram de ter obrigação de expandir e manter os orelhões, passando a operar no regime privado.
Hoje, eles (orelhões) não são mais a regra, são exceção e são mantidos apenas onde não há um serviço de voz substituto.
A exceção foi a Oi, que concluiu a adaptação ainda em novembro de 2024 e pôde retirar os aparelhos não obrigatórios desde então. Já Algar, Claro e Telefônica tiveram suas concessões adaptadas em 2025 e eram obrigadas a manter todos os orelhões até 31 de dezembro de 2025. A partir de 1º de janeiro de 2026, essas empresas passaram a estar autorizadas a iniciar a retirada dos aparelhos não obrigatórios.
Mesmo assim, os contratos preveem que cerca de nove mil orelhões deverão ser mantidos em funcionamento até 31 de dezembro de 2028, principalmente em localidades onde a cobertura de telefonia celular ainda é considerada deficiente.

São Paulo lidera número de aparelhos
São Paulo é o estado com o maior número de orelhões do país. Em dezembro de 2025, eram 28.810 aparelhos, sendo 96,4% ativos e 3,6% em manutenção.
Na outra ponta, o Espírito Santo aparece com o menor número: 15 orelhões, dos quais 10 estão ativos e cinco em manutenção.
Outros estados também registram números reduzidos:
- Rio Grande do Sul: 148 (63 ativos e 85 em manutenção)
- Rio de Janeiro: 55 (41 ativos e 14 em manutenção)
- Minas Gerais: 720 (433 ativos e 287 em manutenção)
- Bahia: 1.569 (1.019 ativos e 550 em manutenção)
- Pará: 849 (506 ativos e 343 em manutenção)
Uso caiu 93% em cinco anos
Responsável pelos orelhões em São Paulo, a Telefônica/Vivo informou que a migração para o regime de autorização encerrou as obrigações do regime público, incluindo a manutenção e expansão dos Telefones de Uso Público.
Segundo a empresa, o termo firmado com a Anatel prevê a manutenção dos aparelhos até 2028 apenas em localidades atendidas exclusivamente pela operadora. Ainda de acordo com a Vivo, o uso dos orelhões caiu 93% nos últimos cinco anos. Veja nota:
"A Vivo informa que a migração do modelo de concessão para o regime de autorização, formalizada pelo Termo de Autorização nº 1/2025 da Anatel, encerrou as obrigações do regime público, incluindo a expansão e a manutenção dos Telefones de Uso Público (TUPs), conhecidos como orelhões. O referido Termo de Autorização prevê, contudo, que a Vivo mantenha, até o final de 2028, TUPs ativos em localidades atendidas exclusivamente pela empresa, garantindo atendimento à população dessas específicas localidades, ainda que seu uso seja praticamente inexistente. No estado de São Paulo, até dezembro/2025, havia aproximadamente 28.000 unidades em operação, cuja utilização caiu 93% nos últimos cinco anos, evidenciando que os orelhões deixaram de fazer parte da rotina das pessoas."


