Polícia realiza operação em 12 estados para combater crimes cibernéticos

A ação foi coordenada pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP); Um adolescente de 15 anos, em Rondonópolis, foi apontado como o líder do grupo

Fernanda Palhares, da CNN*, em São Paulo
Compartilhar matéria

A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso realizou, nesta terça-feira (27), uma operação nacional contra crimes cibernéticos graves praticados contra crianças e adolescentes. A ação foi coordenada pelo Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e ocorreu simultaneamente em 12 estados.

A diligência contou com a participação das Polícias Civis do Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo. Foram cumpridos 22 mandados judiciais, sendo eles de busca e apreensão, prisão temporária e internação socioeducativa.

As ações estão concentradas nos seguintes municípios: 

  • Manaus e Uruçará (AM)
  • Mairi (BA)
  • Fortaleza e Itaitinga (CE)
  • Serra (ES)
  • Sete Lagoas e Caeté (MG)
  • Sinop e Rondonópolis (MT)
  •  Aquidauana (MS)
  • Marabá, Barcarena, Canaã dos Carajás e Ananindeua (PA)
  • Oeiras (PI)
  • Lajeado (RS)
  • São Domingos (SE)
  • São Paulo, Guarulhos, Porto Feliz, Itu, Santa Isabel e Altair (SP)

Sete adolescentes tiveram mandados de internação cumpridos, nas cidades de Aquidauana (MS), Marabá (PA), Barcarena (PA), Canaã dos Carajás (PA), Itu (SP) e São Domingos (SE) e Rondonópolis (MT).

No estado de Mato Grosso, foi cumprido um mandado de busca e apreensão domiciliar contra uma adolescente de 16 anos, em Sinop, e dois mandados de busca, apreensão e internação provisória contra um adolescente de 15 anos, em Rondonópolis, apontado como o líder do grupo.

O adolescente, apontado como líder, já havia sido alvo da primeira fase da operação, realizada em agosto de 2024. Além disso, o mesmo foi investigado em outra ação policial, em abril deste ano, que visava combater o uso de plataformas digitais para incentivar a automutilação.

Além disso, na operação três pessoas adultas foram presas, duas delas em razão de mandados de prisão temporária, cumpridos nas cidades de Manaus e Urucará (AM). Já a terceira foi presa em flagrante na cidade de Ribeirão Preto (SP), em posse de material com conteúdo de pornografia infantil.

Segundo a Polícia Civil, uma rede de pessoas foram identificadas, com a participação de adolescentes que praticavam crimes como: indução, instigação à automutilação e ao suicídio, perseguição, ameaças, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, apologia ao nazismo e invasão de sistemas informatizados, incluindo acesso não autorizado a bancos de dados públicos.

Os cibercrimes aconteciam em plataformas digitais -  Reprodução
Os cibercrimes aconteciam em plataformas digitais -  Reprodução

Segundo Tayana Narcisanota, a polícia informou que um adulto, que também é alvo da ação, está foragido. A Polícia Científica do Pará, apreendeu dispositivos eletrônicos, que serão encaminhados para perícia.  

Os crimes aconteciam em plataformas digitais, como WhatsApp, Telegram e Discord. Por esses meios, os suspeitos divulgavam conteúdos de violência extrema, estimulavam comportamentos autodestrutivos, realizavam coação psicológica, ameaças e exposição pública de vítimas - em sua maioria, menores de idade.

Os investigados podem responder pelos seguintes crimes:

  • Indução, instigação ou auxílio à automutilação e ao suicídio (Art. 122 do Código Penal) — pena de 2 a 6 anos, podendo ser dobrada se a vítima for criança ou adolescente
  • Perseguição (stalking) (Art. 147-A do Código Penal) — pena de 6 meses a 2 anos, aumentada se contra criança ou adolescente
  • Ameaça (Art. 147 do Código Penal) — pena de 1 a 6 meses ou multa.
  • Ameaça (Art. 147 do Código Penal) — pena de 1 a 6 meses ou multa.
  • Apologia ao nazismo (Art. 20, §1º, da Lei 7.716/89) — pena de 2 a 5 anos

Além das multas, as penas somadas podem totalizar em 20 anos de reclusão.

 

*Sob supervisão