Prisão de dono da Choquei gera 2,8 milhões de interações nas redes
Raphael Sousa Oliveira foi preso durante operação da PF que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e envolvimento com facções
A prisão de Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, na quarta-feira (15), gerou um engajamento de cerca de 2,8 milhões de interações nas redes sociais. É o que aponta um levantamento da Nexus.
Raphael foi preso em Goiânia, no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavar cerca de R$ 1,6 bilhão vindos do tráfico de drogas e apostas ilegais.
Leia também: À PF, dono da Choquei diz que ganha R$ 400 mil por mês de forma legal
Ele é apontado como uma espécie de "operador de mídia" da organização. Sua função principal era utilizar o alcance de suas páginas na internet para promover plataformas de apostas (bets ilegais) e rifas digitais.
Além dele, os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, e o casal de influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão também foram detidos.
O levantamento divulgado nesta quinta-feira (16) mostrou que o termo "Choquei" figura entre os assuntos mais comentados nas redes sociais.
Nas postagens, internautas ironizaram a prisão do proprietário do perfil, que é conhecido por divulgar notícias em rápida velocidade e furos sobre a vida dos famosos.
Não tem NENHUMA PAGINA DE FOFOCA falando da prisão do dono da Choquei
Pq será né kkkkkkkkk
— michelonismo (@michelonismo) April 15, 2026
Há uns 7 anos atrás antes do caso da Jessica eu tava negociando pra divulgar minha loja na choquei ainda bem que deu errado. pic.twitter.com/4meADtBdcG
— And.zin 🥂 (@and_xu) April 16, 2026
De acordo com a Nexus, no X, Instagram e Facebook, o assunto gerou cerca de 2,8 milhões de interações entre curtidas, compartilhamentos e comentários.
Os dados ainda apontam que o termo estava em 9º lugar entre os assuntos mais comentados do X nesta quinta-feira, e que chegou a ficar na 1ª colocação no dia anterior na plataforma.
O instituto explica que a ordem dos chamados “Trending Topics” respeita uma série de variáveis que vão além do número de citações ao termo, como o quão recente é o tópico, volume, velocidade, engajamento e personalização.
Ainda de acordo com o levantamento, uma análise amostral de 81 mil menções em português à prisão, feitas por aproximadamente 45 mil usuários, atingiu um alcance estimado de 19,6 milhões de impressões e 878 mil interações, apenas na rede social de Elon Musk.
O pico de conversas ocorreu às 11h de ontem (15). “MC Ryan SP", “MC Poze do Rodo”, “Choquei postou a prisão” e “voltada à lavagem de dinheiro” estão entre as expressões de destaque na nuvem de termos da rede.

A pesquisa também foi feita no Facebook e Instagram, que apontou que cerca de 1,1 mil menções ao tema, feitas no mesmo período, acumulam mais de 1,9 milhão de interações.
O levantamento mostra que a nuvem destas redes revela que “dinheiro em espécie”, "Ryan SP e Poze do Rodo” e "lavagem de dinheiro e transações ilegais” são recorrentemente citados nas conversas.
No Google Trends Brasil, o termo “choquei" havia sido pesquisado mais de 50 mil vezes nas últimas 24 horas, estando em 11º lugar entre os termos mais buscados naquele horário, por critério de relevância.
Entre as buscas relacionadas, aparecem “dono da choquei”, “chrys dias preso”, “mc ryan sp mc poze” e “narcofluxo”.
Prisão de dono da Choquei foi mantida
A prisão de Raphael foi mantida pela Justiça após a realização de sua audiência de custódia.
Em nota enviada à CNN Brasil, o TRF3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) informou que até o momento já foram realizadas mais de 30 audiências de custódia e que todas as prisões foram mantidas.
A defesa afirma que não há elementos que indiquem que o investigado tivesse conhecimento sobre eventual irregularidade nas atividades de terceiros. O comunicado ainda
diz que a defesa confia que a Justiça reconhecerá a ausência dos requisitos legais para a manutenção da custódia.
Veja nota na íntegra:
"O advogado Pedro Paulo de Medeiros, responsável pela defesa do proprietário da página Choquei, vem a público se manifestar sobre a audiência de custódia realizada hoje.
A defesa esclarece que o investigado exerce atividade empresarial regular no ambiente digital, sendo responsável por um dos maiores perfis de redes sociais do país. Sua atuação consiste na divulgação de conteúdos e na realização de publicidade para terceiros, mediante contratação, o que configura fonte lícita de renda e prática amplamente difundida no mercado.
No caso em apuração, os valores recebidos pelo investigado estão relacionados a serviços de publicidade prestados a empresas e agentes do setor de marketing. A defesa destaca que o cliente não integra, não gerencia e não possui qualquer participação em eventuais estruturas investigadas, limitando-se a publicar conteúdos que lhe são encaminhados por equipes responsáveis pelas campanhas publicitárias.
Ressalta-se, ainda, que não há elementos que indiquem que o investigado tivesse conhecimento sobre eventual irregularidade nas atividades de terceiros. Sua atuação sempre se deu dentro dos limites de uma atividade empresarial de mídia digital, sem ingerência sobre a origem ou a finalidade dos serviços contratados.
Diante desse cenário, a defesa confia que a Justiça reconhecerá a ausência dos requisitos legais para a manutenção da custódia, permitindo que o investigado responda em liberdade. O advogado reitera o compromisso com o pleno esclarecimento dos fatos e com a colaboração com as autoridades, certo de que a situação será devidamente esclarecida no curso do processo."
Entenda a operação
A Justiça determinou o bloqueio de R$1,6 bilhão, valor rastreado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), e as estimativas da PF indicam que a movimentação total do grupo pode ultrapassar R$260 bilhões.
Para dar aparência de legalidade às operações, o grupo utilizava um mecanismo descrito pelos investigadores como “escudo de conformidade”, em que os artistas e influenciadores digitais exploravam sua visibilidade pública para mascarar as movimentações financeiras.
O esquema teria usado mecanismos de blindagem patrimonial ao transferir participações societárias para familiares e os chamados "laranjas". A PF constatou que as ferramentas eram utilizadas com o objetivo de ocultar a origem dos valores.
As investigações também apontam ligação do grupo com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O principal elo seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro da facção, com antecedentes por tráfico de drogas e roubos a banco.
Ele teria financiado o início da carreira do funkeiro MC Ryan SP em 2014, além de receber repasses periódicos de estabelecimentos ligados ao esquema.
Ryan seria o líder do esquema
O núcleo central da organização seria liderado por MC Ryan SP, nome artístico de Ryan Santana dos Santos, apontado como principal beneficiário do esquema.
Conforme a investigação, ele utilizava empresas do setor de entretenimento para blindar patrimônio e converter recursos ilícitos em bens como imóveis, joias e veículos de luxo.
PF: MC Ryan é líder de organização criminosa que movimentou R$ 260 bilhões
Entre os investigados estão influenciadores e artistas como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, que é citado como operador de mídia, responsável por promover plataformas de apostas e atuar na gestão de imagem.
O cantor MC Poze do Rodo (Marlon Brendon) é associado à circulação financeira de rifas digitais. Já Chrys Dias e Débora Paixão, conhecidos como “Casal Imports”, são apontados como financiadores no esquema.
A estrutura incluía também um núcleo internacional, com remessas ao exterior e evasão de divisas por meio de empresas ligadas aos investigados.
Como foi a ação
Foram expedidos 39 mandados de prisão temporária, dos quais 33 foram cumpridos inicialmente, além de 45 mandados de busca e apreensão em nove estados e no Distrito Federal.
Durante a operação, foram apreendidos computadores, dispositivos eletrônicos e cerca de R$ 20 milhões em veículos de luxo, incluindo modelos das marcas Porsche, BMW e caminhonetes Amarok.
Também foi determinada a quebra de sigilos telemáticos e o confisco imediato de criptomoedas mantidas em corretoras.
O que dizem as defesas
A defesa de Ryan SP afirmou que "até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos."
Já a de Marlon Brandon, conhecido como MC Poze do Rodo, informou que ainda desconhece os autos do processo e o teor do mandado de prisão expedido contra o artista.
Os advogados de Chrys Dias e Débora Paixão não foram localizados até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Veja nota na íntegra:
"A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.
Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.
A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada."
Dono da Choquei
"A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclarece que seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.
Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.
Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.
A defesa está adotando as medidas cabíveis e demonstrará, no momento oportuno, que sua atuação sempre se deu dentro dos limites da legalidade."
Rodrigo Morgado durante Narco Bet
"A defesa de Rodrigo Morgado vem a público declarar sua total inocência diante das acusações que lhe foram atribuídas no âmbito da Operação NarcoBet e NarcoVela, conduzidas pela Policia Federal.
Rodrigo sempre atuou exclusivamente como contador, exercendo sua atividade profissional de forma técnica, ética, regular e dentro dos limites legais da profissão, prestando serviços contábeis a diversos clientes.
Toda a documentação relativa à sua atuação empresarial está devidamente organizada e será apresentada ao Juizo no momento oportuno.
As movimentações financeiras relativas aos clientes, da mesma forma serão trazidas esclarecendo ao feito a licitude das transações.
O simples ato de converter criptomoedas em reais mediante pagamento de comissão não configura crime.
A atividade P2P, ainda que não submetida a regulação específica do Banco Central, não é ilícita, desde que comunicada à Receita Federal, o que, segundo os documentos fornecidos, foi feito regularmente pelas empresas dos seus clientes.
A defesa reitera que Rodrigo não participou de qualquer atividade ilicita e que sua conduta sempre foi pautada pelo respeito à lei.
Acreditamos firmemente que, com a apuração completa dos fatos, momento em que será garantida a mais ampla defesa pelo Juizo, sua inocência será reconhecida e a verdade prevalecerá.
A defesa seguirá lutando por sua liberdade e confia na Justiça para que essa situação seja esclarecida o mais breve possivel."
*Sob supervisão de AR.


