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    Candidatos pretos e pardos do Enem saltam de 51% para 60% em 6 anos, diz estudo

    À CNN Rádio, o pesquisador Adriano Senkevics afirmou que, entre os motivos, está a mudança no perfil dos novos inscritos

    Inscrições para o Enem 2022 começam em 9 de maio
    Inscrições para o Enem 2022 começam em 9 de maio CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

    Amanda GarciaBruna Salesda CNN

    Em São Paulo

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    Um estudo conduzido pelo pesquisador do Inep, Adriano Senkevics, apontou que a proporção de pretos e pardos entre os candidatos do Enem saltou de 51% para 60% de 2010 a 2016. Durante o mesmo período, a parcela de brancos diminuiu de 43% para 35%.

    Em entrevista à CNN Rádio, no CNN em Educação, ele explicou que procurou entender os motivos para esses números identificados pelo estudo.

    De acordo com Adriano, são três os principais fatores. “Um deles é a mudança no perfil dos novos inscritos, os jovens que se candidatam pela primeira vez. Esse perfil é cada vez mais composto por pretos e pardos.”

    Isso acontece, segundo o pesquisador, porque o “Ensino Médio tem graduado mais esses jovens, além dos incentivos que agora existem, como políticas de ações afirmativas, a exemplo das cotas, e expansão das universidades.”

    Outra questão é o fato de que os inscritos pretos e pardos fazem a prova do Enem mais vezes do que os brancos: “A partir da terceira vez que faz o exame, há um acúmulo de perfil de jovens negros, possivelmente pela dificuldade de entrar no Ensino Superior.”

    O terceiro fator é o “processo de reclassificação racial”. “Houve uma mudança de percepção que o indivíduo tem. Os candidatos podem indicar uma raça divergente de outras edições que se inscreveram. Temos visto um aumento de brancos que se reclassificam para pardos e pardos para negros.”

    Adriano explica que essa é uma “mudança de subjetividade que também tem colaborado” para o aumento de candidatos negros e pardos.

    O pesquisador reforçou que essa mesma tendência vem sendo observada em diferentes pesquisas, inclusive no censo do IBGE.

    “Depois dos anos 90, com uma politização maior das identidades raciais, políticas de reparação história, jovens têm se sentido mais confortáveis para assumir identidades pretas e pardas, essa juventude é a geração mais suscetível a essa mudança cultural”, completou.

    O especialista ainda afirmou que a pandemia representou um atraso para a qualidade da educação no geral, inclusive para a inclusão, que deve ser um desafio durante os próximos anos.

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