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    Carnaval em Olinda: Apoteose com cem bonecos gigantes invade as ladeiras históricas da cidade

    Tradicional desfile ocorreu na segunda-feira de carnaval e trouxe boneca gigante da Rainha Elizabeth ll como destaque

    Diego Barrosda CNN

    em Olinda

    Quem acompanha há anos a apoteose dos bonecos gigantes de Olinda, sabe que o cortejo festivo é puxado pelo boneco do presidente da República que está no poder.

    Porém, neste ano, é a boneca, vestida de rosa e com traços gentis, a responsável pela missão. Sim, é a boneca da Rainha Elizabeth II, sorridente e serena, no carnaval de Pernambuco, chamando atenção do folião.

    O artista plástico responsável pelos bonecos, Leandro Castro, explica que, devido à polarização política no país, a imagem da monarca britânica, que morreu em setembro de 2022, aos 96 anos, traz a mensagem de pacificação.

    “Rompemos essa tradição do boneco do presidente. Carnaval é alegria e não ódio. A Rainha traz essa mensagem. Montada, a boneca dela chega a 4 metros de altura e pesa 20 quilos. Ela ficou pronta, finalizada em janeiro agora. A Embaixada Britânica autorizou fazer esta homenagem e a fizemos”, disse Leandro.

    E para começar a festa, no Alto da Sé, em Olinda, a boneca da Rainha se encontrou com o boneco gigante de Sidney Magal. A Orquestra de Frevo de Pernambuco fez o anúncio do cortejo. “Sandra Rosa Madalena” foi a música de início da Apoteose, no estilo do frevo.

    “Vamos seguir com muito frevo no pé, muita música bonita, o puro frevo de Pernambuco”, explicou o instrumentista Fábio Albuquerque.

    Além da boneca gigante da Rainha, outros 99 seguiram o cortejo. Entre eles, bonecos dos craques da seleção brasileira, como Pelé, que morreu no fim do ano passado, aos 82 anos, além de Neymar e Richarlison, personagens do cinema, da TV, cantores nacionais e internacionais como Freddie Mercury, Michael Jackson e Luiz Gonzaga, o rei do baião.

    A volta da festa mostrou a democracia do carnaval de Olinda, para todos os públicos. Crianças e idosos aproveitaram a manhã desta segunda para pular bastante. Dançar, também. Sandra Sizoni e o marido dela, Moacir de Tiago, vieram fantasiados de “anos 1980”.

    Já são 18 anos seguindo a Apoteose dos bonecos gigantes. “Essa festa é o Brasil. É o amor, libertação, é alegria, palhaços, palhaçinhas, palhaçadas. Acho isso aqui a cor do Brasil”, disse a professora de educação física.

    No repertório, ao longo do percurso, músicas da banda britânica The Beatles. E, logo logo, o ritmo do frevo raiz da cidade tomou conta da festa. Este ano é o 13º desfile da Apoteose.

    Cem bonecos gigantes invadiram o Sítio Histórico de Olinda para marcar a volta de uma tradição que não ocorria desde 2020 por causa da covid-19. As ladeiras da cidade, cheias de casas coloridas, ficaram lotadas logo cedo.

    Sueli de Freitas, do Espírito Santo, veio conhecer o carnaval de Pernambuco. Saiu no meio da multidão e gostou do aperto. “Primeira vez no carnaval daqui, tô gostando muito, muito animado, muita democracia, sem corda. Amando o carnaval daqui”, disse. Amanhã, terça de carnaval, a Apoteose do bonecos gigantes ocorre no Recife.