Caso Kathlen: primeira audiência tem depoimento da família; testemunha de defesa falta

Cinco policiais são réus por fraude processual; segundo o MP, eles alteraram a cena do crime e prestaram falso testemunho — Justiça ainda não definiu data para ouvi-los

Modelo e designer de interiores Kathlen Romeu
Modelo e designer de interiores Kathlen Romeu Reprodução/Instagram

Beatriz Puenteda CNN

no Rio de Janeiro

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O Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ) realizou na tarde desta segunda-feira (16) a primeira audiência do caso Kathlen Romeu. Foram ouvidas nove testemunhas de defesa e acusação, entre elas, a avó da jovem de 24 anos, Sayonara de Fátima Queiroz, que estava com Katlen no momento em que ela foi atingida.

Uma nova audiência foi marcada para o dia 27 de junho, pois uma das testemunhas de defesa dos acusados não compareceu por questões médicas.

A jovem de 24 anos morreu após ser atingida por um tiro de fuzil no peito durante uma operação da Polícia Militar no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, no dia 8 de junho do ano passado.

Ela estava grávida de quatro meses. Em depoimento na tarde desta segunda-feira, a avó de Kathlen disse que tudo estava calmo, quando elas ouviram disparos e, logo, a jovem foi baleada e caiu no chão.

Segundo Sayonara, um dos policiais não deixou que ela acompanhasse a neta no caminho para o hospital. Ela foi levada de camburão.

Em depoimento, o pai de Kethlen, Luciano Gonçalves, relatou que recebeu de um morador um vídeo, gravado pelo celular, que mostra policiais recolhendo cartuchos no chão, após a filha ter sido baleada. Esse vídeo está anexado ao processo.

Também foram ouvidos policiais militares que estavam em patrulhamento na região no momento do crime. Eles disseram que, após ouvir barulhos de tiros, se dirigiram ao local e já encontraram Kathlen caída.

Cinco policiais militares que participavam da operação são réus na Justiça Militar pelos crimes de fraude processual, ou seja, por alterarem a cena do crime e prestarem falso testemunho. Os agentes foram denunciados em dezembro de 2021 pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

As investigações da Polícia Civil indicaram que o tiro que matou a designer de interiores partiu da arma de um dos PMs. Dois agentes, ao prestarem depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pelo caso, admitiram que efetuaram disparos durante a operação no conjunto de favelas. Ainda não há data definida para a justiça ouvir os réus.

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