Caso Marielle: manifestação contra interferências nas investigações ocorre hoje

No ato também será lançado um Comitê de Justiça por Marielle e Anderson, com intuito de pressionar o acompanhamento do caso

Homenagem à vereadora Marielle Franco no bairro de Pinheiros, em São Paulo
Homenagem à vereadora Marielle Franco no bairro de Pinheiros, em São Paulo Foto: Marcelo DSants/Framephoto/Estadão Conteúdo

*Mylena Guedes, da CNN, no Rio

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Após recentes denúncias de interferência nas investigações do caso Marielle Franco, entidades ligadas aos direitos humanos promovem, na manhã desta quarta-feira (14), uma manifestação em frente ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Nomeado de “Interferência não”, o ato cobra respostas e justiça pela vida de  Marielle e Anderson Gomes, assassinados em março de 2018.

Na ocasião, também será lançado um Comitê de Justiça, com objetivo de pressionar e intensificar o acompanhamento do caso, por meio de ações de mobilização com incidência nacional e internacional. A iniciativa foi feita pelas famílias das vítimas, pela Anistia Internacional e pelo Instituo Marielle Franco, com apoio de outras entidades e organizações civis.

No marco de três anos e quatro meses do assassinato, o Comitê lançará a plataforma interferencianao.org, em que qualquer cidadão poderá enviar um e-mail ao governador Cláudio Castro e ao Ministério Público, cobrando por justiça.

Os familiares da ex-vereadora e do motorista enviaram ofícios ao governador do Rio e ao Procurador Geral do Estado, Luciano Mattos, pedindo uma maior participação dos parentes nos próximos passos da ação penal movida contra os executores do crime e as investigações dos mandantes. Entre outras demandas, também foi solicitado esclarecimento sobre as denúncias de interferências externas.

Representantes da ONG e do Instituto Marielle tentam, sem sucesso, há pelo menos 130 dias uma reunião com o governador Cláudio Castro (PL). O último pedido foi enviado por meio de um ofício ao governo no final de maio. O intuito era marcar uma reunião virtual para o dia 14 de julho. 

No entanto, segundo Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional, “o governador segue em silêncio, apesar da obrigação que tem de transparência e prestação de contas”.

Em coletiva nessa terça-feira (13), Castro informou que vai anunciar uma data do encontro para os próximos dias. Questionado pelos jornalistas sobre as supostas interferências externas, Castro se limitou a dizer que não se envolve em qualquer investigação.

“Eu vou repetir o que eu falo sempre: eu não me meto em investigação nenhuma. É um perfil meu o tempo todo. Eu não me meto em investigação, eu cobro só que elas sejam solucionadas”, afirmou.

Nesta semana, o delegado da Polícia Civil, Maurício Demétrio, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público por vazamento ilegal de informação sigilosa referente ao caso. A possível interferência externa e o vazamento de documentos teria sido um dos motivos para que as promotoras Simone Sibilino e Letícia Emile deixassem a força-tarefa criada para investigar as circunstâncias do crime.

Em resposta, a Polícia Civil negou que o documento repassado fosse sigiloso, e afirmou que não houve interferência externa na investigação. “O encaminhamento de um delegado que afirma estar sendo ameaçado de morte para ser ouvido pelo delegado de Homicídios é natural e não configura qualquer tipo de interferência”, afirmou, por nota, a Polícia Civil do Rio de Janeiro.

*Sob supervisão de Helena Vieira

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