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    Caso Marielle: “Suel” nega acusações de Élcio de Queiroz

    Ex-bombeiro é acusado de participar do planejamento das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018

    Marielle Franco foi assassinada em 2018
    Marielle Franco foi assassinada em 2018 Renan Olaz/CMRJ

    Rodrigo MonteiroElis Francoda CNN

    Rio de Janeiro

    A Justiça do Rio de Janeiro ouviu nesta sexta-feira (1), o ex-bombeiro Maxwell Simões Correa. Ele foi acusado pelo ex-PM Élcio de Queiroz, em delação premiada, de monitorar a rotina da vereadora Marielle Franco, de ter participado do assassinato dela e do motorista Anderson Gomes e de fraudar provas do crime.

    Durante o depoimento, o ex-bombeiro negou ter monitorado as movimentações de Marielle, dias antes do crime, assim como de ter alterado as placas do veículo usado durante a execução.

    “Maxwell foi interrogado, falou tudo que ele podia falar, contestou todas as acusações que não têm provas. Delação tem que ter provas” – afirmou a defesa do acusado, Fabíola Garcia.

    Na audiência, a advogada do ex-bombeiro reiterou o pedido de acareação entre seu cliente e Élcio de Queiroz e a transferência de Maxwell do presídio federal em Brasília para um presídio estadual no Rio de Janeiro, sob a alegação de que sua família reside no estado fluminense.

    O juiz da 4ª Vara Criminal da Capital Gustavo Kalil determinou a expedição de carta precatória para que Élcio se manifeste se concorda com a acareação. Também estabeleceu prazo de 10 dias para que a defesa de Maxwell informe se insiste no pedido de acareação e que apresente os pontos que considera divergentes entre o conteúdo da delação de Élcio e a versão do ex-bombeiro.

    Sobre o pedido de transferência, o Ministério Público se manifestou contrário com o argumento o ex-bombeiro é integrante de uma organização criminosa e por ser de alta periculosidade pode interferir no andamento das investigações caso esteja no Rio de Janeiro. A Justiça vai analisar a solicitação.

    Além de “Suel”, outros dois ex-policiais militares são acusados de participação na morte da vereadora e do motorista. Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, acusados de serem os executores, aguardam, presos em penitenciária federal de segurança máxima a data do julgamento.

    VÍDEO – Linha do tempo sobre o assassinato de Marielle Franco

     

    Ele havia sido preso em junho de 2020 numa operação que investigava o crime e cumpria prisão domiciliar. Na ocasião, a polícia apreendeu com Maxwell uma BMW modelo X6, avaliada em R$ 170 mil. Seu salário na corporação era de cerca de R$ 6 mil.

    Quem são Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa

    Maxwell Corrêa é a terceira pessoa a ser detida por suspeita de envolvimento nas mortes de Marielle e Anderson. Em março de 2019, um ano após o crime, os ex-policiais militares Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos acusados de dirigir o veículo usado na noite do crime e efetuar os disparos contra as vítimas, respectivamente.

    À época do crime, em 14 de março de 2018, Élcio de Queiroz encontrava-se em situação financeira complicada, prestando serviço como vigilante patrimonial.

    Ele foi expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2016 e é acusado de ter conduzido o Chevrolet Cobalt prata que emparelhou junto ao carro onde estavam Anderson, Marielle e a assessora Fernanda Chaves.

    Às vésperas do crime completar um ano, ele foi preso junta a Ronnie Lessa durante a Operação Lume, realizada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do estado.

    Em 2011, Queiroz chegou a ser preso na Operação Guilhotina, da PF, que apurou o envolvimento de policiais militares com traficantes de drogas e com grupos milicianos.

    Em outubro de 2020, Queiroz foi condenado a cinco anos de prisão em regime fechado por porte e posse ilegal de armas. Contudo, como ele já estava detido no âmbito do Caso Marielle, não deixou a cadeia.

    Por sua vez, Ronnie Lessa é sargento reformado da PM do Rio e figura conhecida na corporação. É acusado de ter relações com esquemas de contravenção e com milicianos.

    Lessa é suspeito de ter efetuado os treze disparos de uma submetralhadora HK MP5 contra o carro onde as vítimas se encontravam. Ele foi aposentado da PM após sofrer um atentado a bomba, que resultou na amputação de uma de suas pernas e que teria sido provocado por uma briga entre facções criminosas.

    FOTOS: Caso Marielle