Caso Moïse: agressores do congolês depõem e apresentam suas versões

Três dos quatro envolvidos foram presos; apenas um dos interrogados não participou das agressões

Moïse Kabagambe, de 24 anos, foi agredido e morto com golpes de barra de madeira em um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio
Moïse Kabagambe, de 24 anos, foi agredido e morto com golpes de barra de madeira em um quiosque na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio Reprodução/Arquivo Pessoal

Beatriz Puenteda CNN

no Rio de Janeiro

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Depoimentos colhidos pela Delegacia de Homicídios revelam as versões dos envolvidos na morte do congolês Moïse Kabagambe. Entre os quatro homens identificados nas imagens de câmera de segurança, três tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

O funcionário do quiosque Tropicália, apesar de ter discutido com a vítima, não agrediu o congolês. A CNN teve acesso a todas as imagens do circuito interno do quiosque e decidiu exibir os trechos que mostram a emboscada a Moïse. As agressões não serão exibidas.

Os depoentes revelaram que pelo menos cinco pessoas estavam no quiosque em que Moïse foi morto: o funcionário do quiosque Tropicália, o cozinheiro do quiosque Biruta, que fica ao lado, o atendente da barraca do Juninho, de mesmo dono do quiosque Biruta, um vendedor ambulante e uma das sócias do quiosque Biruta.

Os agressores presos afirmaram à polícia que já conheciam Moïse. Na região da Barra da Tijuca, ele tinha o apelido de “angolano” e estava trabalhando no quiosque Biruta há cerca de três semanas como freelancer.

O congolês, segundo os depoentes, também já havia trabalho no quiosque Tropicália.

De acordo com os depoimentos, a discussão teria começado entre o funcionário do Tropicália e Moïse, porque o congolês estaria embriagado e tentando pegar bebidas do quiosque.

Ele afirma que o estabelecimento não devia nenhum valor ao jovem e que Moïse o ameaçou para conseguir pegar cerveja no cooler.

Todos dizem que o congolês havia bebido muito durante os últimos três dias e que era usuário de drogas. A família e a OAB negam e chamam as afirmações de tentativa de desqualificar a vítima.

Os agressores disseram à polícia que escutaram a briga e foram defender o funcionário do Tropicália. Todos afirmam que não houve motivação racial ou xenofóbica para as agressões.

Alguns ainda disseram que eram praticantes do candomblé, religião de matriz africana, ou eram negros, e, logo, segundo eles, as agressões seriam com o intuito de imobilizar Moïse.

O funcionário da Barraca do Juninho, que fica próxima aos quiosques, confirmou que imobilizou o estudante de arquitetura enquanto os demais aplicavam golpes.

Ele disse que aplicou o golpe após Moïse o encarar, depois de ter mandado o congolês não abrir o cooler do quiosque Tropicália. Segundo ele, a imobilização durou cerca de oito minutos. O funcionário diz que “está com a consciência tranquila” porque alega ter apenas segurado a vítima.

Agressões

O cozinheiro do quiosque Biruta afirmou, em depoimento, que decidiu agredir Moïse porque ele “já estava o perturbando há alguns dias” e, por isso, “resolveu extravasar a raiva que estava sentindo”.

O cozinheiro foi o segundo agressor a utilizar o taco de baseball de madeira para agredir o congolês. O taco teria sido trazido pelo ambulante, que foi o primeiro a dar golpes na vítima.

Segundo a polícia, os agressores desferiram ao menos 30 golpes com o taco de madeira, grande parte deles enquanto o congolês estava no chão, indefeso. A vítima ainda foi amarrada com uma corda pelos depoentes.

Os envolvidos só chamaram o SAMU quando um cliente afirmou que Moïse estava morto. Um outro casal tentou manobras de reanimação, assim como o homem que imobilizou o congolês.

Segundo os relatos, a ambulância chegou por 23h15 da noite e a morte teria ocorrido por volta de 22h25, quase uma hora antes.

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