Casos de apologia ao nazismo aumentam 900% em dez anos, de acordo a PF

Crescimento se acentuou entre 2018 e 2020, quando os registros saltaram de 20 para mais de 100 ao ano

De acordo com os dados enviados pela PF, o ano de 2020 se destaca com 110 ocorrências — um crescimento de 59% em relação ao ano anterior
De acordo com os dados enviados pela PF, o ano de 2020 se destaca com 110 ocorrências — um crescimento de 59% em relação ao ano anterior Reprodução

Beatriz AraújoJosé BritoVital Netoda CNN

Em São Paulo

Ouvir notícia

Entre os anos de 2011 e 2020, a Polícia Federal registrou 282 inquéritos para apurar denúncias de crimes de apologia ao nazismo em todo o país. Dados parciais de 2021 e atualizados até a última quinta-feira (21), acrescentam ao menos 51 novos casos — elevando o total para 333. Os únicos estados sem registros de crimes no período são Tocantins, Roraima e Mato Grosso do Sul.

Os dados obtidos pelo Núcleo Investigativo da CNN mostram que o número de registros aumentou de 11 em 2011 para 110 em 2020, um aumento de 900% em uma década. O crescimento se acentuou entre 2018 e 2020, quando os registros saltaram de 20 para mais de 100 ao ano.

Na última quarta-feira (20), uma reportagem da CNN mostrou que crimes de apologia ao nazismo cresceram no Brasil nos últimos dois anos, com base em dados das Secretarias Estaduais de Segurança Pública, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).

De acordo com os dados enviados pela PF, o ano de 2020 se destaca com 110 ocorrências — um crescimento de 59% em relação ao ano anterior. Até outubro deste ano, a PF contabilizou 51 novos inquéritos em apenas 13 estados do país.

  • São Paulo;
  • Rio de Janeiro;
  • Minas Gerais;
  • Paraná;
  • Rio Grande do Sul;
  • Santa Catarina;
  • Distrito Federal;
  • Acre;
  • Pará;
  • Ceará;
  • Rio Grande do Norte;
  • Paraíba;
  • Pernambuco.

O estado que concentra maior número de casos é São Paulo, onde 77 inquéritos foram abertos desde 2011. Na sequência, estão o Rio de Janeiro, com 64 casos e o Paraná, com 28 registros.

Embora o Sistema de Informações Policiais da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul não tenha um código específico para fazer buscas sobre ocorrências do crime de nazismo em esfera estadual, os dados da PF indicam que, de 2011 a outubro deste ano, 27 inquéritos foram instaurados no estado em âmbito federal.

Doze anos de espera

Na madrugada do dia 21 de abril de 2009, o casal de estudantes de Direito e Arquitetura, Bernardo Dayrell e Renata Ferreira, foi assassinado, na rodovia BR-116, em Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba (PR). As investigações policiais da época apontaram uma disputa de poder entre integrantes de um grupo neonazista, chamado Neuland, que seria comandado pelo engenheiro Ricardo Barollo.

Segundo a investigação policial, Dayrell e Renata estavam em uma festa de comemoração ao aniversário de 120 anos de Adolf Hitler, na companhia de Rodrigo Mota, Jairo Maciel Fischer, Gustavo Wendler, João Guilherme Correa e Rosana de Almeida, que seriam os responsáveis pelo crime contra o casal. Os jovens foram presos no dia 30 de abril daquele ano.

Doze anos depois, Ricardo Barollo — suspeito de ser o mandante dos assassinatos — e os outros cinco investigados aguardam em liberdade uma data para o júri. Em entrevista à CNN, o pai de Renata, Amadeu Ferreira, afirma que a demora da Justiça na solução do processo é um desrespeito e diz não saber mais a quem recorrer por conta da impunidade.

“Há doze anos e meio, os assassinos estão livres e quem está pagando a pena somos nós, que perdemos a nossa filha. Eu e a mãe da Renata estamos sofrendo e temos medo de que aconteça com outras famílias; que esses assassinos, que estão soltos, façam novamente com outras pessoas inocentes. Porque esses nazistas, com essa ideologia maldita, continuam propagando morte e violência”, desabafa Ferreira.

Procurada pela CNN, a defesa de Gustavo e Rosana disse que “diferente das investigações da Polícia Civil do Paraná, os dois vão provar que são inocentes”.

A reportagem aguarda retorno do advogado de Ricardo Barollo, e tenta contato com os demais citados.

Mais Recentes da CNN