Injeção letal em UTI no DF: veja quem são as vítimas

Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de assassinar pacientes na UTI de um hospital particular em Taguatinga; Polícia Civil investiga o uso de substâncias letais e fraude em prontuários

Beto Souza e Thomaz Coelho, da CNN Brasil, Vitor Bonets, da CNN Brasil*, em São Paulo
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A PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal) prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de assassinar pelo menos três pacientes na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. As investigações, conduzidas no âmbito da Operação Anúbis, revelaram que as mortes foram causadas pela aplicação deliberada de doses letais de medicamentos e, em um dos casos, até desinfetante, diretamente na veia das vítimas entre novembro e dezembro de 2025.

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Os crimes atingiram pacientes com diferentes quadros clínicos e idades. As vítimas confirmadas pela investigação são uma professora, um servidor público e um carteiro.

Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, era professora da rede pública do Distrito Federal, atuou na Regional de Ensino de Ceilândia e lecionou na Escola Classe 03. Em nota, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal afirmou que ela deixou um legado de afeto, aprendizagem e cidadania para muitas crianças.

João Clemente Pereira, 63 anos, era servidor público. Ele era funcionário da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), atuando como supervisor de manutenção.

Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, era carteiro e funcionário dos CDD (Correios no Centro de Distribuição Domiciliar) de Brazlândia. Uma amiga, nas redes sociais, descreveu Marcos como "amigo, brincalhão e prestativo", outro disse que "toda aquela alegria jamais será esquecida".

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Fraude em sistema e aplicação de substâncias

Segundo a PCDF, o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, era o responsável por administrar as substâncias.

Para obter os medicamentos, ele se passava por médico, acessava o sistema de prescrição hospitalar e alterava as dosagens ou substâncias para valores letais.

As investigações apontam que ele retirava os insumos na farmácia, preparava as doses e as escondia no jaleco para realizar a aplicação nos leitos.

Em um dos episódios, o técnico teria injetado desinfetante por mais de 10 vezes em uma idosa após ela sofrer sucessivas paradas cardíacas.

Enquanto ele agia, as técnicas Amanda Rodrigues de Sousa, 22 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 28 anos, faziam a vigilância da porta para impedir que outros funcionários entrassem no quarto.

Os três envolvidos foram demitidos e respondem por homicídio qualificado. A polícia segue investigando a possibilidade de existirem outras vítimas do grupo na unidade hospitalar.

O que dizem as partes

A defesa técnica de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo enfatiza o princípio constitucional da presunção de inocência, destacando que o caso ainda se encontra em fase de inquérito e que não há uma sentença condenatória ou denúncia formalizada. Em nota oficial, os advogados classificam as informações divulgadas como "narrativas especulativas" que antecipam um juízo de culpa indevido.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas de Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. O espaço segue aberto.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo